logo ALTERNATIVA por Ricardo Baptista

O melhor caminho para o futuro

O país e os cidadãos em geral parecem andar num estado de letargia, como que adormecidos, ou anestesiados, por um longo período que parecia de vacas gordas mas que se veio a manifestar funesto para todos e que na pior das hipóteses será pago por esta geração e pelas que hão de vir.

Sou da opinião que já basta de discursos miserabilistas e negativistas, e que aquilo que é urgente é passar das palavras aos actos, com uma atitude positiva e construtiva perante os problemas. As dificuldades que se apresentam perante nós dizem respeito a todos e ninguém pode ter a ousadia de se demitir das suas responsabilidades.

Segundo a análise de algumas das mais conceituadas personalidades da nação, existe falta de competitividade na nossa economia, derivada de uma lacuna ao nível da formação e qualificação dos trabalhadores, nomeadamente ao nível dos quadros técnicos intermédios. Por outro lado existe alguma falta de investimento em tecnologia, não existindo por parte dos empresários a devida aposta estratégica em inovação, o que leva a que a nossa competitividade ainda assente nos baixos níveis de salários que são praticados.

Fora algumas raras excepções, parece-me a mim, que o que faz falta muitas vezes no nosso país são lideres visionários com capacidade empreendedora e de fazer passar a mensagem sobre quais são as opções estratégicas fundamentais para sermos um país de sucesso a todos os níveis. Somos reconhecidamente um país desenrascado, com capacidade de trabalho e um capital criativo de enorme valor, mas nem sempre sabemos canalizar as nossas energias na melhor direcção. Passamos muito tempo a estudar e pouco a implementar e a tomar decisões. É necessário tirar os estudos da gaveta e começar a praticar, sem medo de ter sucesso. É necessário reformar, modernizar, reestruturar, reabilitar e tudo mais que tenha a ver com os conceitos de reengenharia das organizações? Se calhar é?! Mas porventura é mais urgente experimentar, cooperar, motivar e formar. Todos temos de ter uma visão partilhada do futuro que queremos, para a nossa cidade, região, país, mas nunca poderemos construir esse futuro se tivermos medo de errar, e o adiarmos consecutivamente.

É certo que nos tempos que correm fazem falta algumas boas referência. Para começar os políticos que temos são pouco motivadores, na medida em que parece que hoje em dia é necessário falar mal para se ter algum tempo de antena. A obra feita não é melhor. Ora vejamos: a geração que cresceu comigo foi educada segundo valores que se prendem mais com os aspectos materiais e de ostentação do que com aqueles relacionados com a qualidade de vida e a sustentabilidade.

Na cidade onde vivo existe uma amalgama de prédios construídos com pouco cuidado estético ou arquitectónico, o ordenamento do território parece não ter sido prioridade e o PDM ainda menos, pelo que cada vez mais vivemos encaixotados em camaratas. Os carros proliferam sem que haja lugares para estacionar, quer públicos, quer nos enormes blocos de apartamentos. As estradas estão congestionadas, as acessibilidades são más e o futuro é negro. Todas estas questões revelam que não se soube planear ou não se soube dar a devida importância aos planos que foram feitos, e com este facto ficámos todos a perder. Os interesses individuais de alguns continuam a sobrepor-se aos interesses colectivos de todos os cidadãos e ninguém parece importar-se. Fica então a pergunta, onde vamos parar? Ou vamos todos baixar os braços? Penso que não nos resta alternativa se não irmos à luta e de uma vez por todas reinvindicarmos aquilo que é realmente importante e garante da sustentabilidade de todas as nossas acções. Queremos espaços verdes, queremos passeios sem carros, queremos áreas de lazer e parques infantis, queremos desporto para todos, queremos inovação e modernidade, queremos formação, ou seja queremos uma luz ao fundo do túnel e todos a empurrar para o mesmo lado.

Tiago Torégão
Economista
21.11.2002

 

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