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O Comboio de Alta Velocidade e o Desenvolvimento do Algarve

Alguns dias após a tomada de decisão de que haverá uma ligação de Alta Velocidade (comboios que atingem os 250km/h) entre o Algarve e Huelva até 2018, importa fazer uma pequena reflexão sobre as consequências e impactos que tal medida terá no desenvolvimento do Algarve.

Embora o sector dos transportes, segundo alguns autores, seja um mero acompanhante das actividades produtivas e do desenvolvimento económico, ou seja, é em função delas que o sector dos transportes se desenvolve, existe quem tenha opinião diferente, considerando que o contrário também é possível, e que o facto de serem criadas infra-estruturas e meios de transporte leva a que por essa via se crie emprego, rendimento e actividades produtivas.

Aquando da discussão do traçado da Via do Infante de Sagres, a região foi alvo de grande discussão sobre se o traçado deveria ser mais a norte, o que ia de encontro à ideia das pessoas ligadas ao desenvolvimento regional, ou no local onde se encontra agora, o que para os que entendem que as infra-estruturas devem aparecer onde a actividade económica assim justifica, o actual traçado parece a melhor solução porque mais perto do litoral. Acabou por vencer a segunda ideia, e embora a sua conclusão só tenha ocorrido no passado verão é indiscutível que está trouxe claros benefícios para todos.

O Algarve, apesar de não ser uma região que desenvolva actividades produtivas com expressão, é sobejamente conhecido, apesar da sua periferia, como tendo um grande potencial de crescimento na actividade turística de qualidade, graças às suas excelentes condições naturais, e à forma como sabe receber. Sendo um dado adquirido que as sociedades modernas dão grande valor à mobilidade, e que a facilidade de deslocação e o gosta pelo lazer estão interiorizados, será que a apetência pela mobilidade puderá fazer perigar o turismo? A reposta a esta questão puderá não ser fácil, mas independentemente de quem acha que todos os traçados, exceptuado o que ligará Lisboa a Madrid, são uma péssima decisão política e económica, não restam dúvidas que a solução encontrada irá fazer com que o Algarve esteja mais perto da Europa, e do seu mercado.

No que respeita ao transporte de passageiros são diversas as variáveis que pesam na opção dos particulares por determinado meio de transporte. Quer seja o preço, o tempo de viagem, a qualidade do serviço ou o rendimento dos próprios passageiros, penso que estou em condições de dizer que o transporte ferroviário no Algarve tem vindo ao longo dos últimos anos a perder competitividade face a outros meios de transporte. Nesta matéria a Alta Velocidade só peca por chegar com alguns anos de atraso, embora nunca sejam de desprezar os custos sociais que poderão ocorrer por via da criação desta alternativa e directamente relacionados com a manutenção do equipamento, infra-estruturas, custos ambientais e da própria saúde das populações, embora me pareça que a opção ferroviária apresenta sempre menos custos sociais do que o transporte rodoviário.

Enquanto algarvio regozijo-me com a opção tomada. Estou convencido de que esta contribuirá para o desenvolvimento da nossa região, e que os agentes de actividades económicas, nomeadamente os ligados às actividades turísticas, não ficarão indiferentes a esta nova situação quando pensarem em localizar as suas empresas.

Tiago Torégão
Economista
Jornal do Algarve 20.11.2003

Jornal do Algarve

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