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O Algarve dentro de momentos...

Vários anos que são passados desde a adesão de Portugal à CEE, e III Quadros Comunitários de Apoio depois, o desenvolvimento do Algarve, apesar de visível ao nível de algumas infra-estruturas, vejamos o caso das vias rodoviárias e dos equipamentos escolares, e de ser inegável que estamos hoje muito melhor do que à 20 anos atrás, apresenta-se cada vez mais dependente da actividade turística.

Se por um lado é ponto assente que é no turismo que reside o nosso ponto forte em termos de competitividade entre regiões, facto que nem sempre foi assumido de forma clara pelos nossos governantes, por outro, não nos podemos esquecer que actividades igualmente importantes, porque complementares desta, perderam significativo peso, chegando aos dias de hoje com uma dimensão meramente residual. Refiro-me, claro, à pesca e à agricultura, duas actividades sobre as quais o Algarve tinha todas as condições para ser competitivo, gerando através destas emprego e rendimento para a região. Os solos férteis e a nossa vocação marítimo e atlântica, e uma costa com recursos riquíssimos, parecem não ter sido motivo suficiente para fazer destas duas actividades importantíssimas uma aposta estratégica dos políticos e dos empresários. Dos políticos porque se limitaram à abater barcos e a reduzir quotas de produção, enquanto por exemplo, os nossos vizinhos espanhóis faziam a maior frota pesqueira do mundo. Dos empresários porque não souberam pensar grande, nem organizar-se, preferindo muitos deles utilizar os subsídios dados a fundo perdido pelo estado português, para melhorar as suas condições de vida, com a benevolência deste, em lugar de apostarem e investirem nas suas actividades empresariais, por forma a tornarem-se competitivos.

A outra face da mesma moeda diz naturalmente respeito à actividade turística. O lucro fácil, a corrupção nas autarquias, a pressão imobiliária junto ao litoral, e acima de tudo uma falta de visão confrangedora, foram responsáveis por alguns dos maiores atentados feitos na costa portuguesa, e por muito que se venha agora dizer que sem esta actividade a região estaria ainda empregnada de gente pobre e com dificuldades, tenho sérias dúvidas que a nossa qualidade de vida tenha melhorado, e que com algum bom senso e políticos competentes, não tivesse sido possível fazer muito melhor. Não me refiro claro aos bens materiais que foi possível adquirir com os rendimentos adquiridos, mas a um conjunto de indicadores que valia a pena conhecer para perceber se estamos a evoluir no melhor sentido, ou seja, do turismo sustentável e de qualidade. Para referir apenas alguns exemplos seria positivo saber em que ponto do nosso desenvolvimento estão questões como destruição ecológica (estado de degradação), degradação das praias, frequência de pessoas nas praias (pessoas por metro de praia disponível), destruição da fauna, qualidade da água, segurança, impacto social da actividade turística, satisfação do turista, satisfação da população local.

Alguns dos indicadores aqui exemplificados são concerteza conhecidos de alguns investigadores e de entidades competentes. A questão não é portanto da falta de estudos, mas sim do facto de que nada se faz com um sem número de estudos que existem e apenas servem para estar enfiados nas gavetas, sem que haja coragem de assumir os erros do passado e sem iniciativa política que seja aglutinadora dos reais interesses da população residente, mobilizando empresários, investindo em inovação e tecnologia, apoiando actividades que tenham futuro e não ponham em causa gerações futuras, assumindo de uma vez por todas que região queremos (que apostas estratégicas vamos fazer?) e que sacrifícios são necessários para a desenvolver. Reparem que falo na região no seu todo, e não numa soma de quintais onde algum investimento público é efeito com base em políticas meramente eleitoralistas, sem qualquer critério de racionalidade económica - ainda tenho esperança de ver uma piscina por junta de freguesia?!

Findos que estão tantos anos de apoios comunitário não se vive melhor nas nossas cidades, a pressão imobiliária ainda não terminou (prepara-se o assalto à Costa Vicentina e ao Sotavento), não dependemos menos do turismo, e pior que isso não se vislumbra no horizonte vontade de fazer diferente nem de apostar em actividades produtivas geradoras de riqueza. O futuro segue dentro de momentos...

Tiago Torégão
Economista
Jornal do Algarve 24.03.2005

Jornal do Algarve

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