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Turismo no Algarve

A notícia vinda a público de que a Secretaria de Estado do Turismo passaria a estar sedeada em Faro, e o convite endereçado ao Dr. Carlos Martins, algarvio bem conhecedor da actividade e da região, para que assuma a referida pasta ministerial, revela da importância que o Algarve tem em termos nacionais na actividade turística. Embora este seja apenas um pequeno exemplo de uma descentralização há muito anunciada, mas que nunca passou disso mesmo, este pode ser um pequeno passo para aproximar o poder central das regiões, das suas particularidades e dos desafios que o sector enfrenta.

Apesar de todos os problemas que a actividade tem sentido, nomeadamente em aspectos relacionados com a formação e qualificação do pessoal, aspectos que não se podem dissociar da sazonalidade, de questões relacionadas com o ordenamento do território e todas as críticas relativas à descaracterização da costa algarvia que em muito prejudicam a imagem da região, e o facto de a maior parte da dinâmica do sector estar na mão de operadores estrangeiros, a marca Algarve tem sabido ultrapassar os problemas e apesar de tudo ir sobrevivendo.

Os aspectos referidos, e que demonstram bem da horizontalidade desta actividade económica, revelam que é necessário que as questões relacionadas com o turismo sejam articuladas com os mais diversos sectores económicos, em prol do sucesso e dos resultados que desejamos para a região. A importância que o turismo tem na actividade económica regional e nacional tem no entanto de passar a ser assumida pelos governantes como estratégica e fundamental para o nosso desenvolvimento, e passar a ter reflexos em politicas concretas que beneficiem o sector, nomeadamente canalizado algumas das receitas geradas e que vão directamente para os cofres do Ministério das Finanças, para projectos integrados de formação e promoção da região. A criação de um organismo, ou o alargamento das competências da Região de Turismo do Algarve, capacitando-a para fazer uma gestão da agenda cultural e de animação, apoiando o desenvolvimento e criação de produtos regionais de qualidade comercializados com a marca Algarve, valorizando o interior algarvio e todos os aspectos que possam complementar a oferta turística da região tão dependente do sol e praia, permitiriam que um único organismo supervisionasse a actividade, centralizando a informação e gerando economias de escala resultantes de um maior conhecimento das actividades desenvolvidas pelo sector, canalizando o investimento em promoção para os eventos âncora e que melhor imagem e projecção pudessem dar do Algarve.

O Algarve e o sector turístico precisam de deixar de sobreviver, para passar a comandar o seu destino. Os empresários da actividade que confortavelmente, e compreensivelmente, hipotecaram a sua independência negociando com os grandes operadores os pacotes turísticos que lhes permitiram ir vivendo no curto prazo, talvez não tenham ainda compreendido que aos poucos isso os vai sufocando, na medida em que cada ano que passa a sua capacidade negocial vai diminuindo. O turismo algarvio na mão dos seus empresários seria certamente muito mais empreendedor e capaz de imprimir uma dinâmica de desenvolvimento qualitativo da actividade, na medida em que faria depender de si todos os resultados da procura existente. Tal desígnio não seria concerteza possível de atingir isoladamente, e os empresários do ramo, tantas vezes de costas voltadas e parecendo remar em sentidos contrários, teriam naturalmente muito mais motivos para se unirem.

Após um ano em que o Algarve, resultado do Euro 2004 e de outros eventos, nomeadamente os realizados no Estádio Algarve, por este ser um equipamento único na região e com características polivalentes que lhe permitem organizar grandes eventos, foi alvo de grande projecção, é necessário não deixar cair o investimento por terra e continuar a manter no mapa turístico mundial dos grandes eventos a nossa região, potenciando o alargamento do mercado turístico, nomeadamente com aqueles que procuram actividades relacionadas com o desporto e o espectáculo.

Tiago Torégão
Economista
Jornal do Algarve 12.08.2004

Jornal do Algarve

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