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Pequeninos…

Existe um conjunto de pessoas na sociedade que pelas mais variadas razões contribuem para que o nosso país, e em particular a nossa região, continue a ter muitas dificuldades em se desenvolver. Essas pessoas têm a particularidade de colocar sempre os seus interesses pessoais ou corporativos à frente do interesse comum. A sua especialidade é a de criar forças de bloqueio, para utilizar uma expressão tornada conhecida pelo Prof. Cavaco Silva, ou, se quiserem, utilizarem de todos os meios para alcançar objectivos que só servem a eles mesmos.

Para essas pessoas é mais importante a manutenção do poder, o garantir do status quo, o criar de mecanismos que os tornem intocáveis, independentemente de as suas decisões apenas contribuírem para avolumar os problemas e adiar o futuro. As suas tomadas de posição são sempre vagas, não ferem ninguém e permitem que seja possível continuar a agradar a quase todos, mas bem no fundo são desprovidas de qualquer estratégia, que não seja a do seu próprio interesse, e apenas permitem o alimentar da letargia que convém existir. As suas atitudes não contribuem para que haja um crescimento sustentável das organizações onde se encontram inseridos e apenas criam um ambiente que só consigo resumir utilizando a palavra podre. Essas mesmas atitudes, a todos os níveis irresponsáveis, uma vez que comprometem o futuro, provocam nas pessoas uma reacção de indiferença perante tudo, e têm o dom de as conseguir desmobilizar perante as tarefas e objectivos pré-definidos que lhes cabe realizar. Perante tudo isto, muitos acabam por se sentir impotentes. Acabam por desistir, e deixam de tentar mudar o estado das coisas. Aos poucos a pró-actividade, o trabalho em equipa, o vestir da camisola, são substituídos pela mera reacção aos problemas, o individualismo e a indiferença. Muitos, apesar de tudo, vivem incomodados com a situação e sempre que possível rumam a outras paragens onde seja possível continuar a acordar com um brilho nos olhos e a viver sob determinados princípios. Outros, ou porque não têm possibilidade, ou porque enveredam pelo caminho mais fácil, deixam-se subverter e caem em desgraça, não voltando mais a encontrar um rumo na sua vida.

Tudo o que aqui disse, resume, do meu ponto de vista, o estado em que se encontra o país. Adormecido e indiferente a tudo. Um país que não saberia viver sem corrupção, e onde o bandido e o "xico esperto" são reis. Um país onde anda meio mundo a enganar a outra metade e onde continua a fazer falta uma revolução de mentalidades, que mexa com os poderes instalados e nos encha de orgulho e auto estima.

Numa época em que poucos se indignam com aqueles a que simpaticamente chamo de pequeninos, fica aqui o meu sinal de repúdio.

Tiago Torégão
Economista
Jornal do Algarve 13.05.2004

Jornal do Algarve

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