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Qualidade de Vida no Algarve

O Guia da Habitação publicado na edição do Semanário Expresso no passado dia 20 de Março, apresentava uma lista das cidades mais cotadas do país considerando 15 itens e atribuindo notas de zero a vinte valores a cada um deles. A avaliação, feita por repórteres do referido semanário, teve em consideração os seguintes aspectos: acessibilidades, sinalética, fluidez do trânsito, densidade urbana, estacionamento e segurança, animação turística, restauração e alojamento turístico, equipamentos sociais, espaços desportivos, contacto com a água, espaços verdes e oferta cultural.

Do conjunto das cidades que foram submetidas à análise dos critérios, num total de quarenta e cinco, o Algarve não conseguiu apurar nenhuma nos dez primeiros lugares, embora tenha colocado cinco nos primeiros vinte e cinco. À cabeça das cidades algarvias citadas na lista surgiu Lagos, seguida de Tavira, Albufeira, Vila Real de Santo António e Faro. O trabalho efectuado, embora de forma reconhecida pelo jornal possa ser alvo de alguma polémica dada a subjectividade a que a análise está sujeita, pode, e deve, no entanto, servir para retirar algumas conclusões. A primeira, talvez, é que no Algarve, apesar de existir qualidade de vida, ainda há muito a fazer para tornar a região apetecível para quem quer cá residir. O Algarve tem vivido desde há muitos anos a esta parte sobre uma constante pressão da actividade imobiliária, nomeadamente a que está relacionada com a segunda habitação, o que por um lado tem levado ao surgimento de zonas com grandes densidades de construção, inclusive feita em altura, o que a torna um elemento altamente descaracterizador do território, e por outro tem contribuído para agudizar ainda mais os problemas de desordenamento do território que se vivem um pouco por todo o lado.

O Algarve, por todas as características que apresenta, desde as naturais às climatéricas, tem sem dúvida todas as condições para ser uma das regiões com qualidade de vida mais elevada na Europa. No entanto, a simples evidência deste facto é insuficiente se queremos dar um salto qualitativo e comparar-mo-nos com os melhores. Os problemas de trânsito que se começam a sentir de forma generalizada por todas as cidades da região resultam essencialmente, e do meu ponto de vista, de uma planeamento deficiente, já que não se soube ou não se conseguiu antecipar as soluções que permitiriam às cidades crescerem de forma sustentável. Embora questões como a sinaléctica e o estacionamento se vão resolvendo a espaços com a implementação de medidas de cumprimento da lei e a construção de novas áreas para parqueamento automóvel, respectivamente, outras como os espaços verdes estão de tal forma a ficar desenraizadas da nossa cultura que o betão se vai sobrepondo à construção de espaços dedicados ao lazer e convívio com a natureza.

Numa altura em que muitos dos PDM's vão entrar em período de revisão seria importante que os aspectos qualitativos de desenvolvimento das cidades fossem mais levados a sério, e que fosse valorizado aquilo que realmente é importante - as pessoas.

Tiago Torégão
Economista
Jornal do Algarve 08.04.2004

Jornal do Algarve

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