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Desporto?

Durante muitos anos os fracassos de todas as políticas relacionadas com o desporto tinham como desculpa a falta de infra-estruturas adequadas às mais diversas modalidades. No últimos anos Portugal assistiu à construção de dezenas de polidesportivos, piscinas, campos de futebol, circuitos de manutenção e por aí fora. Chegados aqui é altura de perguntar porque motivo o desporto nacional não tem atingido resultados significativos além fronteiras, nem sequer em modalidades onde isso era habitual, como o atletismo?

Não quero parecer exagerado, e tenho a certeza de que a melhor resposta a esta questão terá sempre de conjugar diversos factores. No entanto respondo a esta questão com uma outra: será que os portugueses gostam realmente de desporto? Muitos discordarão de mim mas os portugueses não têm incutida uma cultura ligada ao desporto. O investimento público a que temos assistido é visível ao nível das infra-estruturas, o que me parece bem, mas por outro lado, corremos o risco de qualquer dia termos esses equipamentos às moscas se não for efectuada uma política que veja realmente a prática desportiva como essencial para a formação de qualquer indivíduo.

Como em qualquer outra actividade, também o gosto pelo desporto se adquire com a sua prática, e, naturalmente com a ajuda de técnicos especializados e vocacionados para o ensino. Nessa matéria aquilo que se assiste em muitas das escolas deste país e dentro de clubes ou agremiações desportivas deixa muito a desejar. Ao nível dos clubes, as sérias dificuldades financeiras, e por vezes económicas que alguns atravessam, levam a que nem sempre sejam os técnicos mais qualificados os responsáveis por orientar e treinar os atletas, sendo antes substituídos por voluntários cheios de boa vontade que por carolice e gosto pelas respectivas modalidades oferecem os seus serviços, mas que nem sempre são as pessoas mais qualificadas para as funções. O amadorismo com que as modalidades desportivas viveram durante muitos anos não é mais compatível com os exigentes tempos modernos e com um leque cada vez mais variado de opções que se oferecem aos jovens para passarem o seu tempo livre. Por outro lado as famílias nem sempre estão receptivas a financiar as actividades que os filhos realizam nos clubes, o que nem sempre é compreensível quando se sabe de antemão que os clubes vivem com dificuldades.

Nos tempos que correm existe uma muito pequena percentagem de pessoas em Portugal que pratica desporto regularmente, embora alguns estudos apontem para o facto de este ser um fenómeno em crescimento. Para ultrapassar esta situação é necessário que se façam os investimentos adequados, tanto junto das escolas, fornecendo o material e equipamento necessários e fazendo com que as aulas de educação física deixem de ser o parente pobre do ensino pré-universitário, como no apoio aos clubes, que nem sempre é criterioso e baseado em objectivos qualitativos.

Para finalizar, apenas dizer que o desporto para além da importância indiscutível que tem, desde os primórdios, para a formação de todos os indivíduos, é também desde sempre um dos elementos que mais contribui para a auto-estima de qualquer nação, funcionando esta proporcionalmente aos êxitos desportivos que são alcançados. E a nossa auto-estima tem andado tão em baixo...

Tiago Torégão
Economista
Jornal do Algarve 01.01.2004

Jornal do Algarve

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