Qualidade de Vida nas Cidades

Hoje em dia com a azafama do dia a dia é frequente não pararmos uma minuto sequer que seja durante a semana de trabalho para reflectirmos sobre o que nos rodeia. O trabalho, os filhos, e a vida familiar são de uma forma muito natural centralizadores de todas as atenções. No entanto, e este é o exercício que proponho que façamos, vale a pena pararmos um pouco e reflectirmos sobre a qualidade de vida que temos, nomeadamente para aqueles que vivem nas cidades algarvias. Pelo facto de viver em Faro vou fazer a minha análise com base nesta cidade, mas acredito que a mesma é extensível a outras cidades da nossa região pelo pouco que conheço da passagem por algumas delas. O primeiro ponto que surge nesta breve análise é obviamente o transito cada vez mais caótico que se vive. A dificuldade em circular, o tempo levado para atravessar a cidade de uma lado ao outro, a falta de estacionamento e o facto surrealista de os automóveis estarem nos passeios e obrigarem os cidadãos a circularem na estrada, são uma constante em Faro, facto que para um concelho que tem cerca de cinquenta mil habitantes gera alguma estranheza para aqueles que estão mais atentos. Por essa Europa fora, vários são os exemplos de cidades com o mesmo número de habitantes, ou superior, onde este é um problema com relevância fraca, tudo porque se põe a qualidade de vida dos habitantes em primeiro lugar, privilegiando a construção de parques de estacionamento fora da cidade e complementando estes com um serviço de transportes públicos com qualidade e com uma capacidade de resposta bastante eficaz para aqueles que têm necessidade de se deslocarem rapidamente durante o dia a dia de trabalho. Outro dos aspectos que salta à vista, é a completa falta de denominadores comuns no tipo de construção que é feita, uma vez que os prédios construídos são feitos de forma desordeira, contemplando apenas os interesses dos construtores e esquecendo que nenhuma cidade se torna atraente sem que haja uma preocupação com o aspecto que tomam as fachadas dos prédios, para já não falar nas diferentes formas e tamanhos que estes têm. Neste aspecto muitas das cidades dos denominados países de leste são um bom exemplo, tornando-as sem dúvida muito mais atractivas aos olhos dos milhares de turistas que todos os anos as visitam e logicamente para todos os que as habitam.

Outro dos aspectos que ganha um particular destaque é a falta de espaços verdes. Penso que é do senso comum, que a construção de parques dentro das cidades as torna sítios mais agradáveis para viver, pelo convívio que são capazes de motivar, como também pelo facto de promoverem a realização de actividades ao ar livre, nomeadamente actividades de lazer e com uma forte índole desportiva. Uma análise muito passageira da cidade de Faro permitirá concluir que nada foi feito nos últimos anos por forma a permitir àqueles que vivem na cidade usufruir de espaços com estas características.

Outro dos aspectos que se torna gritante para todos os que vivem ou trabalham na cidade de Faro é a falta de infra-estruturas desportivas. Todos os que hoje em dia desejarem efectuar algum exercício físico num espaço que ofereça todos os equipamentos para o fazer de uma forma agradável, irão concerteza deparar-se com um vazio enorme. O facto de não existirem espaços públicos que permitam a prática de desportos colectivos como o basquetebol e o futebol, ou outros desportos com um cariz mais individualista, não deixam alternativas às populações, nomeadamente às camadas mais jovens, se não a vida nocturna e outras que pouco de saudável e de estimulante oferecem.

De uma maneira geral a cidade de Faro, nos tempos que correm, e apesar de muito mais haver a dizer sobra a falta de qualidade de vida na cidade de Faro, oferece muito poucos atractivos para quem deseje fazer desta o seu local de habitação, pelo facto de se ter tornado uma cidade descaracterizada, onde impera a falta de uma identidade própria e que aos poucos pela falta de equipamentos e de espaços de que é possuidora, se tem aos poucos tornado cada vez mais uma cidade dormitório e de serviços, qualidade poucas para quem gosta de a apelidar de capital do Algarve.

Tiago Torégão
Economista
Notícias do Algarve 19.11.2001

 

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