Esperança Renovada

A passada semana ficou marcada pela tomada de posse de quase todas as vereações eleitas para as autarquias dos respectivos concelhos, bem como dos deputados às assembleias municipais.

O acto solene não encerra em si o final de uma longa caminhada até ao poder, representa sim, o início de um novo capítulo para aqueles que carregam a responsabilidade de conduzir os destinos dos munícipes que durante a campanha eleitoral depositaram nos candidatos muitas esperanças e expectativas relativamente ao mandato de quatro anos que agora começa.

Aos eleitos para o poder cabe logicamente o papel de fazer o melhor que sabem no sentido de cumprirem as promessas feitas, e de, em conjunto com a população, procurar dar resposta aos problemas sentidos por estas. Dar prioridade aos objectivos a atingir e às lacunas a colmatar será um exercício fundamental para quem não quer perder o rumo e chegar ao fim do mandato com obra feita. Este discurso, por mais simplista que possa parecer, é quase sempre esquecido por quem lidera as autarquias, pois em pouco tempo se chega à conclusão que as dificuldades e os vícios são muitos, ficando estes à mercê de problemas do passado e procurando gerir o caos do dia a dia.

A este problema, acresce a pressão dos poderes instalados, normalmente conduzidos por aqueles que têm interesses imobiliários ou económicos fortes e que procuram, por todos os meios, "convencer" os autarcas a aprovar os seus projectos. Esta não é portanto uma tarefa fácil e deve ser levada avante com muita humildade e os pés bem assentes na terra. Por outro lado é preciso fazer lembrar que também os cidadãos não se devem demitir das suas funções. Quero com isto dizer que estes devem procurar envolver-se o mais possível na vida pública, participando sempre que possam nas sessões de câmara abertas aos munícipes, procurando saber como se desenrolam os trabalhos da Assembleia Municipal, sabendo reenvindicar as causas justas e criticar o trabalho dos autarcas sempre que os interesses destes sejam postos em causa. Não chega passar a vida a criticar aqueles que têm o poder para tomar as decisões se após cada acto eleitoral não procurarmos "fiscalizar" o trabalho que por estes é desenvolvido. A cidadania constroi-se com a participação de todos, debatendo os assuntos e procurando as melhores soluções para o interesse colectivo.

Neste início de século e em que as populações começam a pôr em causa o papel dos políticos através da constituição de movimentos independentes, urge dignificar a classe política e honrar os compromissos assumidos perante os cidadãos, sob pena de que esta esperança que agora renasce volte a cair em saco roto.

Tiago Torégão
Economista
Notícias do Algarve 14.01.2002

 

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