logo ALTERNATIVA por Ricardo Baptista

Inovação Empresarial, o Algarve e a nossa Universidade

Durante a presidência portuguesa da União Europeia, ficou definido como objectivo estratégico fundamental a ser atingido por esta, em conferência realizada em Lisboa no ano de 2000, que a mesma se deveria tornar até 2010 a economia mais competitiva, e, ao mesmo tempo, a economia com mais dinâmica baseada no conhecimento em todo o mundo, capaz de desenvolver um crescimento sustentável da mesma, com mais e melhores empregos e maior coesão social.

A inovação é um elemento central deste objectivo, na medida em que esta é suposto ser competitiva e dinâmica, bem como um factor determinante para a performance da economia. A inovação tem desempenhado um papel importante no desenvolvimento da economia do conhecimento, assim chamada porque sustentada num conhecimento não só vertical, mas acima de tudo horizontal, isto é, que abarca um vasto campo de domínios, como por exemplo o conhecimento organizacional, social, económico, intelectual e criativo, entre outros. Esta importância é visível quando ligada a actividades baseadas nos serviços onde a disseminação das tecnologias da comunicação e da informação têm vindo a ganhar uma importância crescente, não só ao nível da qualidade do serviço prestado, como também na redução de custos. Estar preparado para uma economia de mercado como aquela em que hoje nos inserimos, e ser competitivo, requer, de todos aqueles que aceitem o desafio de desenvolver uma actividade económica, um vasto leque de conhecimentos e de formação.

Portugal é dos países da União Europeia que menos investe em Investigação e Desenvolvimento, sendo também dos que menos registos de patentes de propriedade intelectual realiza todos os anos. Isto não significa que não haja inovação no nosso país, mas somente que grande parte do seu conjunto carece de qualquer registo numa base de dados nacional ou internacional, dessa forma impedindo que possa ser partilhada com outros, e retirando a estes a oportunidade de desenvolver de forma mais competitiva a sua actividade. O próprio registo de uma patente pode, só por si, representar uma oportunidade de negócio.

Neste sentido, ganha uma importância crescente a necessidade do nosso governo implementar um conjunto de medidas capazes de criar um ambiente favorável que conduza à inovação, nomeadamente fomentando o empreendedorismo e uma cultura da inovação, criando uma política orçamental e fiscal favorável à investigação, ao desenvolvimento e à inovação.

Também as universidades têm aqui um importante papel a desempenhar, enquanto fonte de conhecimento direccionada para este tipo de actividades, nomeadamente constituindo centros tecnológicos de pesquisa de processos ou produtos inovadores, produtos esses que depois de desenvolvidos e de certificada a sua importância económica se possam materializar em encubadoras de empresas criadas para o efeito, e ser comercializados (de forma mais comum conhecidos como spin off).

A Universidade do Algarve irá brevemente acolher um Gabinete de Apoio à Promoção da Propriedade Industrial, que será responsável, como o próprio nome indica, por promover junto de todos aqueles que desenvolvem actividade económica, ou intelectual, o registo de patentes, bem como facilitar o acesso a toda a informação e legislação relacionada, e os benefícios daí decorrentes.

Este gabinete é um passo mais, a par de outros que vão sendo dados ao nível da investigação neste importante estabelecimento de ensino da nossa região, para que processos e produtos inovadores apareçam e contribuam para fazer a economia do Algarve cada vez mais forte, e cada vez menos dependente da actividade turística, criando negócios associados a sectores da transformação que sejam rentáveis e que tenham associados mão de obra especializada e altamente qualificada.

Tiago Torégão
Economista
Jornal do Algarve 11.09.2003

 

Jornal do Algarve

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