Os dinheiros públicos...

Fico espantado com os comentários que são feitos na rua por aqueles que se insurgem contra o facto de o Governo e determinados autarcas estarem a proceder a cortes substanciais nos subsídios atribuídos a clubes e associações, sejam eles de que natureza forem. A actual política de contenção da despesa pública, só necessária porque os anteriores executivos não souberam gerir o que era de todos nós, gastando e prometendo o que não tinham, é totalmente necessária e só peca por tardia. Não haverá concerteza forma mais impopular de se começar um mandato do que negar o apoio a quase todo o tipo de entidades que desenvolvem a sua actividade junto das comunidades e para estas.

Será que esta "política do subsidio" para que muitas destas instituições possam continuar a existir nunca irá ter um fim? Será que os clubes e associações já pensaram em redimensionar a sua actividade e os seus efectivos? Será que estes já se esqueceram da forma e do porquê de terem nascido, com base na vontade popular e com o esforço da iniciativa privada? Se estas motivações deixaram de existir, se a actividade que desenvolvem saí fora do âmbito para que foram criadas, se a mesma coloca em questão o estatuto de utilidade pública que muitos têm, não estará então na hora de repensar a sua actividade? Como é que se compreende que existam tantos movimentos cívicos para tão poucos recursos? Vamos continuar a viver acima das nossas posses aguardando pelos subsídios estatais? Não sou de forma alguma contra o apoio através dos dinheiros públicos da actividade gerada pelos clubes e agremiações, associações, ou seja lá o que for, mas um apoio não deve passar disso mesmo, e é bastante diferente de receber fundos para que estes não se extingam. Não estará na hora de os clubes se unirem e pensarem na fusão das suas infa-estruturas tirando proveito da sua gestão conjunta?

Não existem com toda a certeza soluções fáceis, mas se queremos estar preparados para uma União Europeia competitiva, e numa fase em que estamos a ter acesso ao último Quadro Comunitário de Apoio (2000-2006), será que os nossos dirigentes associativos e os nossos políticos estarão a preparar realmente este país para os tempos que se avizinham?

Não haverá coragem política para chamar à razão os portugueses e de uma vez por todas fazer deste país um país decente, onde os facilitismos, as cunhas e os favores de toda a espécie e feitio não têm lugar? Será este o motivo pelo qual muitos dos nossos emigrantes só conseguem ser valorizados lá fora e a hipótese de regressarem a Portugal esta fora dos seus objectivos?

Em 2006 iremos ver quem é que esta realmente preparado...

Tiago Torégão
Economista
Notícias do Algarve 11.06.2002

 

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