É preciso ter lata!

Os primeiros dias do mês de Abril têm trazido a descoberto um sem número de casos de corrupção entre altos funcionários da Administração Pública, autarcas e grandes empresas nacionais. Se por um lado se devem premiar os agentes da polícia judiciária pelo excelente trabalho de investigação levado a cabo, por outro é preciso analisar e perceber porque motivo foi possível chegar tão longe.

Temo-nos deparado durante os últimos anos com uma perca de autoridade por parte do estado, o que nos levou irremediavelmente a um clima de passividade e de permissividade perante aquilo que é o cumprimento da lei. Aliado a este factor somos confrontados quase diariamente com os problemas que envolvem a justiça portuguesa, nomeadamente a prescrição de processos, a morosidade e o arrastar de casos que com o tempo que levam a ser resolvidos já não fazem justiça a quem de direito, e a necessidade de modernização dos tribunais. Todos estes elementos aqui descritos têm contribuído para o crescente descrebilizar das instituições públicas.

Os portugueses são por todos estes motivos obrigados a olhar com desconfiança para as questões que dizem respeito à autoridade do Estado. Será um comportamento normal que se tenha receio das forças policiais quando a sua razão de existir é proteger os cidadãos? Será que todas estas situações seriam possíveis se as entidades responsáveis pela fiscalização tivessem os recursos humanos e os meios necessários para combater aqueles que prevaricam? A mim parece-me que é tudo uma questão de prioridades.

De uma vez por todas é necessário desenvolver esforços para que se deixe de falar dos responsáveis por cargos políticos, autarcas, altos funcionários públicos e por aí fora, sem que seja necessário acrescentar a expressão "meter ao bolso". Será que já não há gente de bem capaz de desenvolver o seu trabalho sem pensar em meios ilícitos de enriquecimento? Ou será que estes responsáveis são tão mal pagos que caem facilmente em tentação? Ainda há gente com muita lata!

Tiago Torégão
Economista
Notícias do Algarve 08.04.2002

 

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