Qual o futuro dos partidos políticos?

O conceito de cidadania encontra-se consignado pela constituição portuguesa e não é mais do que um conjunto de direitos e obrigações estabelecidos entre o indivíduo e o Estado, convenção essa que resulta do estudo do direito comparado europeu. Dentro deste quadro legal, que reza o direito e os bons costumes, assiste-nos a liberdade, mas também a obrigação, de contribuir para o desenvolvimento das nossas regiões e, por conseguinte, do país.

De uma forma ou de outra todos sentimos o dever de participar e de interagir na sociedade, não só no desempenho de uma actividade profissional como também aassociando-nos a organizações socioculturais, desportivas, humanitárias, políticas.... É precisamente esta última que pretendo analisar, fazendo simultaneamente uma breve reflexão sobre o distanciamento a que estão votados os partidos políticos nos tempos que correm, e na alternativa que os cidadãos encontram hoje em dia nos movimentos cívicos que despontam por todo o lado. A palavra "Alternativa" está cada vez mais presente nas discussões das camadas jovens, que questionam o seu futuro com a natural apreensão de quem receia não encontrar no actual quadro socio-político a resposta mais adequada para as suas interrogações. A justificação e a satisfação dessas apreensões e desse desencantamento é que deveria ser motivo de preocupação acrescida para os nossos políticos. Mas não parece...

Quando as pessoas já não vêm nos partidos políticos a solução para os seus problemas e procuram outras formas de fazer ouvir as suas preocupações algo de muito grave se passa. Apesar de Portugal e os portugueses, no meu ponto de vista não terem uma grande tradição ligada ao voluntariado, este tem vindo nos últimos tempos a ganhar expressão na nossa sociedade. Não esqueçamos que, por exemplo, a base de sustentação da democracia e da economia norte-americana reside precisamente numa grande tradição relacionada com actividades de voluntariado e com movimentos cívicos e que estes constituem lobbys fortíssimos geradores de desenvolvimento e de criação de melhores condições de vida para todos. O voluntariado é algo que um estudante norte-americano não pode esquecer no seu currículo quando decide entrar numa universidade.

Partindo deste quadro algo negro para os partidos políticos, actualmente pouco mobilizadores e geradores de massa crítica e de ideias com que as populações e sobretudo os mais jovens se identifiquem, será que estes estão condenados ao desaparecimento? Numa altura em que se discute na Assembleia da República a possibilidade de candidaturas independentes poderem concorrer às eleições autárquicas esta preocupação ganha ainda maior expressão.

É portanto chegado o momento das forças políticas, agora mais do que nunca, abrirem as suas portas à sociedade, debatendo ideias e definindo objectivos e as estratégias para os atingir, tendo uma preocupação real com o bem estar dos cidadãos e procurando os melhores indivíduos para liderarem os projectos políticos que as bases entenderam como aqueles que servem melhor as populações.

O Algarve, mais do que qualquer outra região do nosso país, necessita de líderes políticos fortes, que conduzam esta região para o lugar que lhe é devido na Europa e que se façam ouvir em Lisboa. Enquanto estes continuarem preocupados com o seu quintal e a olhar para o seu umbigo a actividade política continuara a cair em descrédito e o Algarve continuará a pagar caro tal irresponsabilidade.

Tiago Torégão
Economista
Diário do Sul - Edição Algarve 04.06.2001

 

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