logo ALTERNATIVA por Ricardo Baptista

Algarve: Destino Turístico de Qualidade

Foi em meados dos anos sessenta que a actividade turística no Algarve começou a ter alguma importância para a economia da região. Desde então, esta tem vindo a ganhar cada vez maior expressão tornando-se a actividade número um, em detrimento de sectores como a pesca e a agricultura. O sector turístico, e as actividades que lhes estão associadas, são o maior empregador da região, fazendo dele depender milhares de famílias, e ainda, fruto essencialmente das excelentes praias, do clima ameno e do sol que nos brinda com a sua presença durante a maior parte do ano, é também responsável pela entrada de milhões de divisas que os turistas estrangeiros generosamente deixam durante o seu período de férias. No entanto, os benefícios mais do que evidentes que o sector cria para a região, e para quem nela habita, não têm tido por parte do homem a contrapartida devida. De facto não temos sabido defender o turismo no Algarve.

Desde problemas relacionados com a pressão massiva que é efectuada sobre o território por parte dos construtores, passando pela falta de equipamentos e infra-estruturas adequadas e ajustadas para uma população que vai desde os cerca de quatrocentos mil habitantes que têm residência fixa, até aos mais de 5 milhões que a visitam anualmente, muito haverá para dizer sobre o estado do turismo no Algarve. Se por um lado já nada há a fazer em casos como o de Monte Gordo, Quarteira ou Praia da Rocha (só para citar alguns exemplos), por outro é necessário que os nossos governantes e empresários comecem a entender que existe uma forte necessidade de criar infra-estruturas e serviços turísticos dentro de uma óptica de desenvolvimento sustentável e de reposicionamento em termos de imagem.

O Algarve - destino turístico de qualidade, ainda não passou das palavras, e é uma miragem para quem cá vive e para quem nos visita. A procura da qualidade tem de responder a um desejo de reabilitação global do meio envolvente e à necessidade de encontrar um equilíbrio, dentro da cadeia do desenvolvimento sustentável, entre a gestão dos recursos, a performance económica, as aspirações sociais e questões como a mobilidade e as acessibilidades. Nesta difícil tarefa que é a de coordenar todas estas variáveis, a bem da região, ainda há quem viva de costas voltadas, ora porque o sector público não acompanha as necessidades do sector privado, ora porque a associação empresarial A vive em competição com a B, cada uma chamando a si o máximo de protagonismo.

O caminho que mais cedo ou mais tarde seremos obrigados a fazer é o da Gestão Integrada da Qualidade do destino turístico, neste caso o Algarve. A região necessita de urgentemente definir as suas prioridades relativamente à qualidade que queremos que tenha, e a partir delas propor e implementar um conjunto de acções susceptíveis de contribuir globalmente ou individualmente para a melhoria da qualidade do turismo dentro das suas diferentes componentes: satisfação dos visitantes, dos habitantes e dos empregados das empresas turísticas e uma utilização racional dos recursos do destino.

Esta abordagem integrada do destino turístico Algarve, à medida que outras regiões se vão desenvolvendo e aumentando a competição, precisa de começar a ser apreendida rapidamente por empresários, trabalhadores e habitantes. Se é verdade que muitos prestadores de serviços turísticos específicos, como as agências de viagem, os hotéis e os restaurantes, utilizam já sistemas de qualidade total para a gestão dos seus negócios (muitos dos operadores estrangeiros assim obrigam), também é verdade que no que diz respeito ao turista a sua satisfação não depende apenas dos serviços atrás enumerados, mas igualmente de factores mais amplos como a hospitalidade, a segurança, a higiene e salubridade, o trafego e a gestão dos visitantes.

O sucesso de um destino turístico visto pelo prisma da satisfação do turista depende de varias componentes interdependentes, pelo que é fundamental haver um planeamento estratégico e integrado e os meios e técnicas específicas que assegurem uma Gestão Integrada da Qualidade do Destino Algarve.

Para os governantes, a quem tem faltado vontade política para resolver os principais problemas com que o turismo da região se depara, fica o apelo para que em parceria com os empresários da região se dêem passos no sentido de tornar cada vez mais o Algarve como Destino Turístico de Qualidade.

Tiago Torégão
Economista
Magazine do Algarve - Outubro de 2002

 

Magazine do Algarve

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