logo ALTERNATIVA por Ricardo Baptista

Carta aberta aos Deputados da Nação eleitos pelo Algarve

Exmas(os) Senhoras(es) Deputadas(os)

Escrevo esta carta enquanto cidadão preocupado com o desenvolvimento do Algarve, um desenvolvimento que se quer harmonioso e sustentável, de forma a tornar cada vez mais agradável a vida na região para quem nela habita, e, naturalmente, para quem a visita. Espero que entendam as palavras que vos endereço não com um espírito provocatório, mas sim construtivo e de desafio .

Gostava de começar por dizer que respeito o trabalho de todos e que considero que estar ao serviço do país, e da sua população, é uma missão do mais nobre que existe, apesar de alguns dos nossos políticos nem sempre estarem à altura dela. Mas isso é outra questão.

O entendimento que faço de um país que vive em democracia, é de que esta deve ser o mais participativa possível. Numa altura em que o modelo de desenvolvimento de um país, sustentado nos princípios do Estado Previdência, se encontra cada vez mais desfasado da realidade e das reais necessidades das populações, é altura de exigir de todos que se adaptem às exigências dos tempos modernos, e que a vida em sociedade se faça de direitos mas também de deveres. Quero com isto dizer, que o facto de cada vez mais haver um distanciamento dos cidadãos relativamente à política, e aos políticos, não é somente da responsabilidade destes. Todos necessitamos de entender, que só é possível fazer deste país um lugar melhor, se nos envolvermos efectivamente em todas as decisões que se prendam com o seu futuro. No entanto, e é isto que queria destacar, não vejo por parte dos deputados, excepto claro esta, as devidas excepções, uma actividade que contrarie esta tendência, uma vez que a política continua a ser feita à distância e sem que os cidadãos que os elegeram tenham conhecimento da forma como a região esta a ser defendida no parlamento e junto do governo.

Não conheço todos os deputados que foram eleitos nas ultimas eleições legislativas pelo Algarve, nem tão pouco sei os nomes de todos, nem se todos nasceram na região ou se a têm como lugar de residência. A importância destas questões pode ate ser bastante discutível. Agora aquilo que não entendo, é porque motivo não foi feito na região nenhum balanço do trabalho desenvolvido até ao momento, o teor das intervenções feitas no parlamento, as comissões onde estão envolvidos e os resultados atingidos, as políticas que estão a ser desenvolvidas e o lobby que esta a ser feito na defesa do Algarve, e tudo isto quando está decorrido quase um ano desde o acto eleitoral. Apesar da minha relativa juventude não tenho conhecimento que isto tenha alguma vez sido feito.

Uma busca na internet permite responder a algumas destas questões, apesar de não ser possível através dela encontrar uma página para cada um dos deputados com o teor das suas participações em actividades parlamentares, os dias em que se deslocam ao Algarve para puderem ouvir as populações em actividades públicas, as metas que se propõem atingir durante o mandato e os resultados obtidos até ao momento. Numa era em que as tecnologias afastaram barreiras físicas e aproximaram os povos, e a criatividade é um capital cada vez mais valorizado, encontram-se à disposição de todos meios e mecanismos que permitem desenvolver um trabalho político com maior relevância, mais eficiente e eficaz.

Começar por dar o exemplo e promover actividades que suscitem a participação dos habitantes da região em debates públicos sobre os problemas que os afectam, é uma medida que penso ser bastante benéfica e um bom começo para preparar cada vez melhor esta região para os desafios que se avizinham.

Respeitosamente,

Tiago Torégão
Economista
Magazine do Algarve - Março de 2003

 

Magazine do Algarve

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