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A República dos letreiros …

Foi com requentada expectativa que li que a Direcção Regional de Economia do Algarve, tinha avançado uma candidatura ao PIQTUR para quer renovar e modernizar a sinalização rodoviária e turística na região do Algarve em conjunto com 11 das 16 autarquias.

Cada vez que leio notícias deste teor, recordo um conjunto de episódios que se repetem todos os anos quando amigos e familiares se deslocam à região e procuram encontrar-se comigo lá para os lados de Albufeira. No início, como Geógrafo encartado, estruturava um mapa esquemático com base em elementos estáticos da paisagem como forma de orientação. Acontece que o ritmo de transformação da estrutura urbana e da dinâmica viária fez com que rapidamente se tornassem inúteis. Com o advento dos telemóveis, passamos a “navegar” ao impulso… “Viras na primeira à direita… segues até onde diz…”…

Acabo invariavelmente por me pôr a caminho para resgatar famílias que em desespero percorrem e repercorrem as estradas em busca da designação que não se encontra, quando não se dá o caso de encon-trarem orientações divergentes.

Se atentarmos que nos encontramos numa região demandada por largos milhares de visitantes nacionais e estrangeiros, que os recursos turísticos (particularmente os meios de alojamento), têm um padrão profundamente disseminado entre interior e litoral, que a tutela da sinalética se subdivide por diferentes entidades de acordo com a sua localização e com a classificação da rede viária, incidindo sobre cada nível, regulamentação nacional e local com carácter mais ou menos rígido… podemos entender a complexidade e a dimensão da tarefa que se enfrenta.

Se considerarmos que é de interesse turístico uma parte significativa das diferentes componentes da sinalética (informativa, direccional e turística) e se tivermos em conta os limites rígidos impostos pela lei relativos à dimensão e ao número máximo de designações admissíveis num determinado ponto, em função da sua capacidade de leitura por parte dos condutores, rapidamente se entende que a tarefa proposta tem tanto de urgente quanto de ciclópico e complexo.

É fácil entender, que a reformulação coerente e urgente deste problema (que infelizmente se alastra a todo o território nacional), não é tarefa de um conjunto bem intencionado e responsável de entidades regionais, nem se resolve com decretos ou orientações governamentais, mas que é antes de mais, uma tarefa e uma responsabilidade de todos.

Qualquer um de nós, sem esforço, num percurso diário dentro das nossas cidades ou entre localidades, identifica uma larga dezena de sinais, letreiros, cartazes, placas e toda uma outra panóplia de suportes que à margem da lei (e muitas vezes pondo em risco a própria segurança), procuram conduzir eventuais clientes a bem identificados destinos. Talvez a banalidade com que ocorrem nos faça parecer “normal”, que qualquer um se sinta autorizado a acrescentar à sinalética oficial, a designação do hotel que entretanto se abriu, a localização da loja que acabou de inaugurar, o restaurante que se perde entre as encruzilhadas, o espaço de eventos que queremos visitado, o lugar que se entende ter direito de assinalar. Só um fenómeno de grave miopia colectiva, não permite identificar o ar viçoso com que crescem e se multiplicam letreiros e cartazes ao longo das nossas principais vias de acesso a começar na entrada das principais cidades e a terminar na longa avenida urbana em que se transformou a N125.

Só estranho é que ao contrário dos gafitis que vão poluindo cobardemente as cidades, estes sinais têm nome, morada, direcção, nº de telefone, assinatura e em muitos casos até o nome das empresas que criaram e fixaram tais atentados… mas poucos são os casos em que se noticia uma acção energética e com consequências para quem viola sem vergonha a lei…

Uma região turística competitiva passa necessariamente por uma reformulação, renovação e reestruturação da sua sinalética, com base em metodologias e objectivos claros, que respeitando a lei e a segurança, consigam trazer identidade, distinção e valorização dos diferentes sub destinos regionais e mais valias para os territórios e os produtos chave da região. Assim o conjunto dos actores da região consigam encontrar o seu caminho, num percurso onde “…devagar se vai longe”.

António Ramos
Mestre em Geografia e Planeamento Regional
Jornal "Região-Sul" 05.07.2006

Jornal 'Região Sul'

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