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Uma questão de naturezas …

Num destes fins-de-semana, numa esplanada de Lagos, fui participante involuntário, de uma acalorada e animada discussão. Um grupo relativamente alargado de participantes discutia a notícia saída no “Jornal Expresso”, relativa à Carta de Desporto de Natureza do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Podia ler-se no artigo declarações da jurista envolvida no regulamento, onde esta afirmava que era “fundamental o controle das actividades desportivas na área do parque, porque assim estamos a permitir que a natureza seja utilizada de forma controlada”.

No calor da troca de ideias, iam lançando-se para o ar um conjunto de preocupações que não deixavam indiferentes quem escutava: “Que função tem preservar extensas áreas naturais se delas não se pode fazer uma utilização verdadeiramente sustentada quer do ponto de vista ambiental, quer económico? Como se fixar a população e manter a preservação, a monitorização e a fiscalização eficaz do território, se dele não se consegue retirar rendimento? Que sentido tem preservar território e habitats para as gerações futuras, se no futuro já não existirem habitantes no território? Que sentido faz publicar regulamentos e impor restrições absurdas, quando sabemos que não existem meios para as controlar? Que sentido faz garantir condições de salvaguarda e controle na utilização, enquanto produto de lazer, de um património que nos esforçamos para promover como recurso alternativo às ofertas massificadas da região?”

As perguntas, com maior ou menor ironia, sucediam-se mais ou menos sem resposta.

De facto, numa altura em que a Região aposta na qualificação ambiental como caminho para a diversificação da economia e da actividade turística. Num momento em que se multiplicam projectos que complementem e diversifiquem a oferta concentrada no produto sol e praia como incentivo à potencialização dos seus recursos endógenos. Quando todos os princípios da sustentabilidade aconselham uma utilização responsável e participada dos recursos existentes, valorizando a procura de territórios alternativos. Parece no mínimo questionável, que uma regulamentação que se centre no controle do uso e não na disciplina das boas práticas surja, ao que tudo indica, à revelia das autarquias, das populações e dos promotores públicos e privados.

Nem de propósito, a AMAL conjuntamente com as autarquias e a CCDR Algarve, acabou de lançar a 1ª pedra daquela que será a futura EcoVia do Algarve. O local inaugurado, assinalado com uma estátua, pelo Sr. Secretário de Estado do Ordenamento e do Território, não poderia ter um maior simbolismo, uma vez que se encontra em pleno coração do parque no Cabo de S. Vicente. Esta EcoVia do Litoral tem a mais valia (a nível nacional e internacional) de efectuar uma parte significativa do seu percurso dentro de áreas naturais, proporcionando o convívio e integração desta estrutura com os recursos naturais únicos na região. No caso do Parque Natural da Ria Formosa, a EcoVia será mesmo a única forma de atravessar e visitar locais não acessíveis por outro meio. Será que no futuro, a partir de Lagos, um grupo organizado de turistas terá que pagar portagem? Ou terá que se licenciar junto do ICN, para não ficar sujeito a uma coima que poderá chegar aos 2500 €?

A tarde já caía e o convívio terminou com a seguinte proposta:

- Já que temos na área do parque a RAN (Reserva Agrícola Nacional), a REN (Reserva Ecológica Nacional) e a Rede Natura, devíamos criar agora a RIH (Reserva Integral do Homem), como forma de garantir que ainda se conseguem preservar alguns exemplares da espécie. Logo alguém respondeu de pronto: - desde que inclua os acessos às praias e aos bons pesqueiros, as áreas de vista mar e os terrenos compatíveis com o Golfe, compro a ideia!

António Ramos
Mestre em Geografia e Planeamento Regional
Jornal "Região-Sul" 05.04.2006

Jornal 'Região Sul'

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