logo ALTERNATIVA por Ricardo Baptista

O Presente e o Futuro da Noite Farense

Todos nós gostamos da "noite", mais que não seja para "dar uma volta à baixa" com o intuito de melhor fazer a digestão e bebericar algo liquido num qualquer espaço de diversão nocturna, que por aí proliferam com relativa qualidade.

É com algum pesar que constato a fraca afluência dos farenses, e todos os que por cá passam no Verão, aos referidos estabelecimentos de diversão nocturna. Contudo, não posso deixar de realçar o esforço da autarquia em tentar manter a noite de Faro animada através de espectáculos e feiras, visando conferir aos habitantes e visitantes da capital algarvia momentos de lazer e divertimento. Porém, o busílis da questão situa-se na falta de correspondência entre esta animação pública, que usualmente termina cerca da meia-noite, e a ministrada pelos bares e discotecas da cidade, mormente durante o mês de Agosto. Que os farenses "fogem" para outras paragens como Albufeira, Portimão ou até Lagos é um facto indesmentível e até se compreende, agora que os turistas, nacionais e estrangeiros, se deparem com uma noite fraca e desprovida de calor humano já é (quase) indesculpável.

A nova estratégia autárquica de fiscalização rigorosa dos estabelecimentos de diversão nocturna que o executivo camarário pretende que seja levado à letra e à alínea entende-se perfeitamente, porque se há legislação é para ser cumprida, e se existem fogos habitacionais, nas zonas adjacentes aos bares, são para ser respeitados. Todavia, que a Câmara Municipal de Faro retire dividendos dessa conduta só o tempo o dirá, mas é uma jogada social de se louvar e respeitar.

A aparente solução para essa questão de saúde pública seria, aliás como já foi ventilado diversas vezes por todos os grupos de trabalho que nos últimos anos passaram pelos Paços do Concelho, a trasladação das casas de diversão dos noctívagos, e não só, para a zona periférica, no denominado "Passeio Ribeirinho". Não só pela questão da poluição sonora, como também pelo facto de os empresários da noite poderem começar, praticamente, do zero a agradar aos poderes públicos e aos próprios clientes, isto porque considero que os actuais proprietários e cessionários deverão ter o direito de preferência sobre os futuros espaços a conceder. Ainda neste prisma, e dado que estes processos são morosos, devemos envidar esforços no sentido de requalificar a noite farense, mais que não seja através de uma maior atenção em aspectos como a limpeza e conservação quer da parte exterior dos ditos estabelecimentos e arruamentos envolventes, quer de um maior cuidado com as zonas verdes, fontes e iluminação pública. Como ainda com a preocupação de dotar os referidos bares e discotecas com condições, no presente, para poderem respeitar as exigências previstas na lei e a bom tempo exigidas pela autarquia e clientes.

Obviamente, que surgiriam entraves, mas se a tradição já não é o que era, porque não se há-de mudar a área de divertimento sob o luar para a periferia da cidade? Em Lisboa já se faz há muitos anos e noutras paragens algarvias também. Considero urgente que se tomem medidas nesse sentido, a fim de proporcionar a todos os cidadãos do mundo que por cá passam, e que são muitos, condições higiénicas e materiais para o conforto lúdico-social. Mas para tal, teremos, porventura, que esperar pela conclusão das obras do Parque das Cidades e o intemporal desejo de muitos que é o de libertar a cidade do caminho-de-ferro e respectivas vaporentas locomotivas.

Fica dado o mote sobre esta vital questão local e regional, garantindo aos leitores desta coluna que brevemente voltaremos a abordar este tema que tanto interessa a miúdos e a graúdos.

Pedro Miguel Ortet

O Algarve 12.09.2002

 

Jornal 'O Algarve'

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