A Alma Farense

Vivemos uma situação conturbada no clube mais representativo deste concelho. Escrever sobre o Farense, numa perspectiva crítica, nesta altura em que a Autarquia nos pede solidariedade pode não parecer muito oportuno. A verdade é que se a Autarquia nos pede que sejamos solidários, é porque realmente se esgotaram todos os outros meios para conseguir gerar o capital que urge reunir.

As forças vivas da cidade desdobram-se em esforços (uns mais profícuos que outros) na tentativa de se encontrar uma solução "milagrosa" que permita a sobrevivência do clube, mas de modo geral a população está preocupada com o desenrolar desta novela que está longe do fim. Será que esta cidade, capital de Distrito, capital do Algarve, não tem capacidade por si própria, de gerar dentro da sua juventude, juventude essa embuída desde tenra idade dos ideais da "Alma Farense", quadros capazes de levarem a cabo um projecto que tenha como intuito, não o protagonismo adstrito aos dirigentes desportivos, mas sim um projecto coerente, sério, e acima de tudo em conformidade com a real situação do clube?

Note-se bem que me refiro ao clube.
Um dos ícones máximos da nossa cidade, com responsabilidades perante a comunidade local. Torna-se necessário para que todos percebam que haja uma clarificação das responsabilidades da S.A.D. e as do Clube, visto que está demonstrado que a indefinição patente, poderá servir apenas interesses que nada têm a ver com o S.C.FARENSE.

Aos sócios e simpatizantes do clube, que são ao fim ao cabo quem quer e poderá fazer algo por esta instituição, é feito agora um veemente apelo para que não deixem morrer a ideia da cidade continuar a ter um emblema que a represente nos escalões mais altos do desporto, apelo que deve ser correspondido com a generosidade que caracteriza o algarvio. Está em causa e não é demais ressalva-lo um pouco os pergaminhos de toda uma região, que não pode nem deve ser menosprezada, tendo em conta o seu passado e a sua história.

Pedro Miguel Ortet

Notícias do Algarve 06.06.2002

 

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