O (In)dependente?
1. A moralidade e a ética política, tal como na sociedade civil, empresarial e familiar parece cada vez mais uma utopia, tal é sobreposição da moral e da ética da conveniência individual sobre tudo. No discurso de cada indivíduo percebe-se o seu afastamento das suas convicções e dos seus valores como um mal necessário de sobrevivência.
As grandes figuras públicas políticas, como é o exemplo de Isaltino Morais, Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras, entre muitos outros com menor relevância pública, são o exemplo gritante, do discurso da moral da conveniência, da falta de ética, da ausência de valores e do desrespeito total pelo povo português. Em resumo são o exemplo da falta de vergonha que existe na política portuguesa. Não querendo de modo algum julgar alguém em público, acredito que a nobreza do serviço público que é sem dúvida o fundamento do desempenho político, não se pode compadecer com as dúvidas que subsistem sobre os nomes acima mencionados, sob pena de continuarmos permanentemente a acreditar que Portugal está sob o efeito de lóbis, e de interesses defendidos pelos poderes partidários, autárquicos, sindicais, futebolísticos entre outros mais súbtis.
2. A eleições autárquicas revestem-se sem dúvida de particularidades muito locais. Muitas vezes os candidatos apresentam um perfil de tal modo unânime, que até aos partidos contrários se apresenta difícil a tarefa de "combater" o adversário.
Em Faro a situação já começa a apresentar contornos de humor, dada a situação que se encontra criada em torno do candidato independente apoiado pelo PSD - e agora surgem as dúvidas se pelo PSD local, regional ou só pelo nacional.
A decisão a nível nacional de manter todos os candidatos ganhadores, desde que o seu perfil respeitasse os pressupostos criados, e que levaram a exclusão de outros candidatos ganhadores pelo PSD, é em meu ver perfeitamente aceitável e compreensível.
No entanto, já não é compreensível que a nível nacional surja um apoio declarado ao candidato independente, desautorizando os órgãos locais e distritais eleitos de forma legítima, deixando-os ao dispor dos desejos e caprichos do referido candidato.
Creio que tal como eu, muitos militantes começam a ter dúvidas se o candidato que encabeçará as listas do PSD e pretende escolher todos os elementos das suas listas representa efectivamente o PSD, ou outra força política oculta o P.J.V.. E em caso de vitória - será do PSD ou será do J.V.; e em caso de derrota será do PSD local, do regional ou do nacional ...
Exige-se assim, uma posição esclarecedora dos órgãos nacionais, para que em Outubro não haja vencedores independentes à custa do PSD, ou condenações locais à custa de derrotas independentes.
Pedro Gonçalves
Licenciado em Turismo-Marketing
Postal do Algarve 07.07.2005
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