Preparados para Governar...
A grande conclusão que se pode tirar do escasso tempo que Pedro Santana Lopes teve para governar é que não é de um dia para o outro que se pode pegar num país e governá-lo. Foi isso que aconteceu, inesperadamente José Manuel Durão Barroso, decide presidir a Europa, e para estabilidade do país (obviamente para manter o partido) e de certo modo o seu projecto, nomeia Santana Lopes como seu sucessor.
Contudo, já o projecto do Dr. Durão Barroso continha lacunas também pela inesperada chegada prematura ao Governo, originada pela saída pantanosa do António Guterres. A história repete-se e José Sócrates é empurrado para Primeiro-Ministro, antes de poder amadurecer ideias, estratégias para o país. O projecto "Novas Fronteiras" não possuí a profundidade que os Estados Gerais tiveram, as ideias que vem sendo apresentadas pelo líder socialista são uma repetição do que havíamos visto.
O programa eleitoral do Partido Socialista é uma versão mais ligeira do programa apresentado por António Guterres, também de outro modo não seria possível, porque os interpretes são os mesmos. A título de exemplo pode-se referir que não poderia faltar nas promessas eleitorais do PS, o Rendimento Mínimo, abrangendo contudo um número mais reduzido de indivíduos, é que desta vez os cofres não ficam cheios para esbanjar.
A liderança mudou, porém os 'generais' são os mesmos e com poder reforçado; António Vitorino, Jorge Coelho, Manuel Maria Carrilho e José Seguro, dão a cara diariamente pelo seu líder, deixando Sócrates no seu canto, sem debates, sem exposição de ideias, sem desgaste de imagem ou sem valor acrescentado à sua imagem. O êxito desta estratégia só será possível de avaliar na noite de 20 de Fevereiro, quando se souber os resultados eleitorais.
Para o Algarve, também nada de novo os cabeças de lista apresentados, ou não pertencem aqui, ou então tal como os seus líderes, andavam a preparar-se para outras andanças. Não existem propostas arrojadas, inovadoras, verdadeiras alternativas que levem os algarvios a abdicar de uma cor política em torno de um projecto.
De facto, estamos perante uma situação política e económica, que o que verdadeiramente existia para fazer, era seleccionar os melhores técnicos e políticos do País e partir daí formar um Governo uno e capaz de delinear uma estratégia para o presente e futuro do país.
O futuro do nosso País não é nada risonho a manter-se a inépcia e a dúvida sobre a competência do nosso Estado.
Pedro Gonçalves
Licenciado em Turismo-Marketing
Postal do Algarve 03.02.2005
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