Viver na Realidade
Os números não podem ser ignorados e os factos são reais. As indústrias de produção estão condenadas e o número de desempregados previstos para os próximos anos só na indústria têxtil aponta para 30 mil desempregados.
Contudo, de forma irrepreensível o nosso Presidente da República decidiu efectuar uma visita à China, como forma de dinamizar as relações comerciais entre os países. Certamente, para agradecer os grandes investimentos que estão a fazer em Portugal e para abrirem as portas às empresas de produção nacional, como forma de combate ao desemprego...
Se fosse outro a fazer esta visita, e com este timing, o que não diriam e escreveriam os media...
Convém no entanto realçar que, no nosso país existem muitas entidades atentas e que não actuam de forma reactiva. O estudo apresentado pela Agência Portuguesa para o Investimento,
apresenta o país dividido por clusters como estratégia para combater o desemprego, a falta de competitividade, como modo de desenvolvimento económico regional e nacional.
Este estudo encara os problemas e a realidade de frente, e defende de modo inequívoco que, com excepção de algumas empresas, tem projectos de grande qualidade e sustentabilidade na área da indústria têxtil e que subsistirão à invasão por parte dos produtos produzidos na China e dos mercados do Leste Europeu. O referido estudo apresenta ainda alguns dos caminhos a seguir: "a reabilitação de empresas e pessoas, para a produção e concepção de consumíveis hospitalares, a aposta no mercado de energias renováveis/hidrogénio".
Demonstra-se assim que existem apostas a fazer para todo o país com vista a combater a estagnação. No caso do Algarve, o cluster apresentado é o por muitos conhecido, porém ignorado: " Turismo/Acolhimento" - turismo residencial direccionado às classes médias europeias; Turismo, ligado ao desporto, cultura, património e eventos, assim como, uma aposta nos congressos, estágios, serviços de reabilitação e centros de formação multinacionais.
Podemos todos concluir que a região Algarvia, tem já consciência do seu projecto, necessitando acima de tudo de uma entidade que assuma a liderança e que possua capacidade dinamizadora, para levar a cabo um projecto independente das forças políticas no poder.
É claro que essa entidade não deve ser mais um organismo público inerte e incapaz de criar dinâmicas competitivas, fechado nas alpacas do poder para dar resposta à criação de mais uns "jobs for the boys", mas poderá passar pelo reforço de competências dos já existentes e sobretudo, passará pela criação das parcerias concretas e dos projectos adequados para que se passe dos discursos à realidade.
Pedro Gonçalves
Licenciado em Turismo-Marketing
Postal do Algarve 20.01.2005
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