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Algarve Desajustado

As notícias e estatísticas que estão a ser conhecidas sobre o turismo algarvio, não tem sido nada animadoras durante o Verão de 2004. A ideia geral é que o Turismo no Algarve está em queda.

De facto, todos os dados apontam para uma redução de turistas em relação aos anos anteriores. Após cinco anos de crescimento consecutivo, o Algarve depara-se com uma pequena crise, não conseguindo passar ao lado do discurso nacional do pessimismo. Numa primeira abordagem, ninguém poderá ignorar que a quebra no turismo nacional, está directamente relacionado com a situação económica e financeira que todo o país vive, salientemos o congelamento dos salários na função pública, o aumento do desemprego, a instabilidade profissional e social que muitos sentem. Era um dado adquirido que o turismo nacional vinha já à alguns anos a sustentar o turismo algarvio. No que se refere aos mercados estrangeiros, a recessão é global. No caso do principal mercado emissor de turistas para o Algarve, o Reino Unido, para além dos problemas económicos que vem sentindo, a desvalorização da libra face ao euro, também tem contribuído para a diminuição de turistas.

O Campeonato Europeu de Futebol, apresenta-se também como um dos factos que contribuiu para quebrar o crescimento do turismo algarvio, tendo repartido os turistas por todo o país. Resta-nos esperar que a divulgação que houve do nosso país e o investimento efectuado tenha repercussão a médio e longo prazo. Contudo, a diminuição de fluxos turísticos começou- -se a verificar desde o princípio do ano, permitindo-nos analisar que o problema não é tão evidente como parece. Há uma questão de estratégica nacional para o turismo que não está a funcionar.

Perante os aspectos apresentados, somos levados a pensar que as pessoas não viajam, porém quer a nível interno quer externo, os números desmentem esta realidade. A oferta de destinos mais baratos, como Tunísia, Egipto, Chipre e até Brasil, acabam por ser a opção dos turistas.

Volto assim, a afirmar o que já escrevi muitas vezes, a aposta no Turismo por parte dos governos não pode ser apenas uma questão de retórica e de propaganda política. A colocação da Secretaria de Estado do Turismo no Algarve, não pode ser considerada como um acto de descentralização, se as medidas e as estratégias continuarem a ser desajustadas à realidade. As instituições públicas ligadas ao sector turístico, tem que assumir um papel mais activo e dinamizador, não actuando de forma reactiva mas de modo inovador, auxiliando os empresas na difícil tarefa de tornar o Algarve competitivo.

O nomeação do Dr. Carlos Martins, para Secretario Estado de Turismo, é certamente para todos os algarvios um motivo de satisfação e de esperança, para uma clarificação das estratégias e políticas de Turismo, colocando a Algarve no patamar que merece.

Pedro Gonçalves
Licenciado em Turismo-Marketing
Postal do Algarve 19.08.2004

Postal do Algarve

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