vialgarve                   
vialgarve                               Alexandra Maria Rodrigues Paradinha
Navigation Map
e-mail vialgarve

webmaster JNN
A população está a envelhecer... Motivos?!

A maior parte das mulheres que conheço, para não dizer 99% das mulheres que conheço, exercem uma profissão ou esperam exercer, não querem ficar em casa o dia todo a limpar, cozinhar, ver televisão... isto não as satisfaz. Têm necessidade de prestar um serviço à comunidade, de aprender, de estudar, de ter uma carreira profissional.

A inversão do papel da mulher na sociedade trouxe consequências a vários níveis, e se antigamente o objectivo das raparigas, desde cedo, era constituir família agora o seu objectivo é outro. Querem ser advogadas, médicas, engenheiras, ter um curso superior e construir uma carreira, aproveitar a vida e marcar posição na sociedade. As consequências desta mudança foram favoráveis em muitos aspectos, mas criaram uma situação que no médio prazo pode não ter muita importância mas que, no longo prazo nos podem trazer alguns problemas...e complicados!!!

Vejamos, actualmente o percurso profissional de uma jovem segue um padrão quase uniforme: termina o 12.º ano, ingressa num curso superior que lhe ocupa 4, 5 anos da vida, e depois parte para a procura de trabalho, não sabe por quanto tempo, mas não desiste! Nesta altura, a jovem de que falamos tem provavelmente, uns 25, 26 anos, e enfrenta a batalha desgastante que é a procura de trabalho. Se o encontra tenta mantê-lo se for preciso fazendo sacrifícios, se não o encontra continua a procurar.

Entretanto os projectos relacionados com a constituição de família vão sendo adiados, não só pelo percurso que foi seguido, mas também pelo facto do grau de exigência das mulheres, em geral, se ter tornado superior. Não vão partir para a procriação sem terem construído uma base financeira, sem estabilidade. E entretanto a população vai envelhecendo. A pirâmide etária, como sabemos está cada vez mais leve nas classes jovens e mais pesada nas classes menos jovens, e a emancipação da mulher pode estar na origem desta situação. As famílias são agora menos numerosas, em média um casal opta à partida por não ter mais que dois filhos, porque a crise económica constitui um entrave, porque a vida profissional condiciona a proximidade da relação mães/filhos, enfim, por uma série de factores externos que se instalaram na sociedade actual.

Antigamente, quando a pirâmide etária assentava numa estrutura jovem, também existiam dificuldades económicas, os chefes de família trabalhavam o máximo tempo possível para assegurar um nível de vida aceitável a si e aos seus, descurando muitas vezes a relação pai/filhos e no entanto as famílias eram mais numerosas, muitas vezes privando-se de luxos, mas eram 5, 6 elementos por família - a população era deveras mais jovem, e menos consumista! O consumismo a que assistimos todos os dias e que tantas vezes nos tenta, é com certeza um factor que condiciona a constituição de famílias mais numerosas, leia-se: quanto menos filhos se tiver, mais se pode dar a cada um deles.

A vida está cara é certo, mas também as exigências pessoais e materiais de cada um são mais elevadas de dia para dia. O espírito de sacrifício está pouco aceso na nossa sociedade, a motivação não é a maior e à que reacender alguns valores importantes esquecidos e ultrapassados pelo consumismo, pela emancipação da mulher, pela competição profissional.

Recado para as mulheres (e a que os homens também devem dar ouvidos): rejuvenesçam a população, preocupem-se menos com a parte material da vida, reduzam o consumismo desnecessário e acreditem que a crise não é de agora - não é impensável, nem impossível, ter uma família numerosa e uma carreira profissional em simultâneo!

Alexandra Paradinha
Licenciada em Gestão de Empresas
Jornal "Região-Sul" 17.12.2003

Jornal 'Região Sul'

Comente este artigo

Comentários por HaloScan.com
Tiago Torégão João Nuno Neves Pedro Miguel Ortet Jorge Lami Leal Jorge Moedas Carlos Baía Lara Ferreira Hugo Leonardo Nuno Silva Alexandra Paradinha Paula Rios Pedro Gonçalves Miguel Antunes José Leiria André Botelheiro André Ramos António Ramos Marco Rodrigues Outros