O frio está a chegar, e com ele mais uma época de pouco movimento no turismo Algarvio – é a Época baixa. As estradas começam a ficar mais vazias, os restaurantes mais badalados sem filas de espera, os hotéis sem hóspedes, enfim, parte da actividade económica da região abranda, e começa o período de contenção.
Este cenário, que se repete todos os anos, criou um ciclo vicioso na classe trabalhadora afectada pela sazonalidade, e o quadro parece estar já pintado: seis meses de trabalho, seguidos de seis meses de subsídio de desemprego. É do nosso conhecimento que na altura em que as taxas de ocupação na hotelaria decrescem significativamente é necessária menos mão-de-obra para assegurar o funcionamento normal dos estabelecimentos, e lá dispara o desemprego no Algarve. Contudo, a mão-de-obra dispensada na época baixa poderia ser valorizada em termos profissionais, melhorar a sua performance, em prol da qualidade dos serviços oferecidos pelos estabelecimentos turísticos.
Não seria vantajoso para estes estabelecimentos manter um quadro de pessoal fixo, ao serviço todo o ano, e durante o período de menor movimento direccioná-los para acções de formação no próprio posto de trabalho? No ano seguinte, ao colher o que foi semeado, não terá o pessoal mais qualidade, mais profissionalismo no desempenho das suas funções?
É minha convicção que sim, que seria vantajoso para todas as partes envolvidas:
· para os empresários, que, ao suportar um custo adicional em formação serão compensados por uma melhoria dos serviços prestados pelos seus funcionários;
· para os funcionários, que, além de manterem o emprego todo o ano, têm a possibilidade de melhorar as suas capacidade profissionais;
· para os clientes do hotel que ficarão com certeza mais bem servidos e como consequência a Região ganha qualidade.
No entanto, é fundamental que existia capacidade financeira para pôr em prática um projecto desta natureza, mesmo com apoios do Estado torna-se difícil para uma pequena empresa apostar num projecto desta natureza. As empresas com capacidade para avançar, essas sim, têm que actuar de forma a manter postos de trabalho, a qualificar os funcionários, a contribuir para o crescimento, em qualidade, da região.
Uma alternativa que começa a ganhar força em algumas unidade hoteleiras é direccionar o turismo nos meses de época baixa, para o desporto: caminhadas, golfe, ténis…actividades que podem ser praticadas ao ar livre, mesmo no Inverno.
Por exemplo, o golfe é um desporto muito apreciado pelos estrangeiros de meia-idade e até com mais idade, potenciais clientes da hotelaria algarvia. Eles apreciam muito o clima ameno da região e o nosso papel é aproveitar estas condições climatéricas, utilizando-as no combate à sazonalidade. Desta forma poder-se-ia passar a mensagem de que o Algarve é bom todo o ano…e não só no Verão.
Existem já algumas empresas a laborar nesta actividade (golfe) e que vão, aos poucos, desenvolvendo e melhorando a oferta deste serviço. Uma empresa desta natureza tem necessidade de criar postos de trabalho a diversos níveis: manutenção especifica de campos de golfe, jardinagem, ensino da modalidade, segurança, limpeza, assegurando empregos o ano inteiro, já que este desporto é praticado tanto no Inverno como no Verão.
Mas os benefícios desta modalidade desportiva, vão para além das empresas ligadas directamente a este ramo de actividade. Entram também em cena empresas de hotelaria dedicadas ao alojamento, que podem angariar clientes divulgando as potencialidade da região na época baixa – clima, desporto, descanso - e consequentemente aumentar as taxas de ocupação neste período crítico. O mesmo sucede com os serviços de restauração e diversão.
As necessidades da procura têm que ser satisfeitas, e portanto o que há a fazer é diversificar e melhorar sempre a oferta turística no período intitulado por “época baixa”.
Alexandra Paradinha
Licenciada em Gestão de Empresas
Jornal "Região-Sul" 15.10.2003