logo NOVA ALTERNATIVA por Ricardo Baptista

Verão, Calor e Filas de Espera

Nos meses de época alta, assiste-se todos os anos a uma crescente problemática nos serviços prestados por esta região. Todos sabemos que a população em alguns concelhos do Algarve, chega a duplicar o seu número e a formar um autêntico boom de veraneantes e potenciais consumidores.

A questão é: porque não se preparam devidamente os nossos empresários para esta situação?

Continuamos a verificar que, se um infortúnio num dia quente de sol, uma constipação fora de prazo ou uma alergia provocada por um alimento, nos atinge, esperam-nos com certeza horas de paciência na farmácia de serviço. Sim, porque é de noite, depois de um dia de divertimento ou descanso, que as mazelas surgem e a única hipótese de nos aliviarmos é uma ida à farmácia de serviço mais próxima - isto para males menores.

E o que encontramos? Uma única farmácia de serviço para escoar a clientela habitual, acrescida da clientela de verão e perfazendo um número infindável de clientes.
É evidente que o número de empregados que durante a época baixa, conseguem assegurar um eficaz atendimento, não tem capacidade de permanecer com a mesma qualidade de serviço, perante um afluxo desta natureza.

Como podemos solucionar esta evidência? Os Srs. Empresários terão que abrir os cordões à bolsa e contratar pessoal suficiente, qualificado, para que não se passe uma má imagem deste serviço fundamental, ou o mais lógico, bastante complicado para "alguns", mas que para a maioria das pessoas faz sentido, abrir neste período crítico duas farmácias de serviço permanente, permitindo assim um melhor funcionamento do serviço farmacêutico.
É fácil em teoria, mas será na prática?

Outra situação alarmante, e que também se repete de ano para ano na nossa região, é a qualidade de atendimento nos serviços de restauração versus a pratica de preços excessivamente elevados. Será que um restaurante de pequena dimensão, que por se situar perto da praia ou de locais minados de veraneantes, oferece aos seus clientes aquilo que eles realmente pagam?

É verdade que o Algarve acarreta o peso de apenas poder aumentar o seu poder económico, nos meses em que os consumidores são mais que muitos, para fazer face aos restantes meses do ano, em que a afluência é mínima - apesar da existirem soluções alternativas para a época baixa, assunto que terá que ficar para outra altura.

Mas isso não significa que se possa usar e abusar do veraneante, seja ele habitante local ou turista. Para que se apresentem preços demasiado elevados, tem que se oferecer um serviço de qualidade, formar os empregados, criar condições mínimas de conforto e personalização do atendimento. Porque não apostar na formação em hotelaria e restauração, numa região em que grande parte da população depende economicamente da época alta, do sol e do calor?

A oferta existe, inúmeros cursos de formação nas áreas da hotelaria e restauração, designadamente empregados de mesa, cozinheiros, recepcionistas, empregados de andar nos hotéis e similares, e todos aqueles que constituem a base da prestação de um bom serviço, com qualidade, que possa ser alvo de "passa a palavra", de boca em boca, que é aliás o meio de publicidade mais utilizado por estas bandas.

Se vamos a um restaurante jantar e gostamos muito do serviço, da qualidade e dos preços, com certeza vamos lá voltar e obviamente vamos indicar aos nossos amigos e conhecidos esse restaurante. Mas se o serviço for mau, ao contrário do que acontece nas farmácias que não temos outros "remédio se não lá voltar, para quem está de férias e não se quer aborrecer, apanhar uma seca de uma hora ou duas à espera de uma refeição, é motivo suficiente para não voltar lá, e definitivamente não o indicar a ninguém que conheçamos.

Mas os empregadores, principalmente os de pequena dimensão, não estão totalmente sensibilizados para estes aspectos, deveriam olhar menos ao lucro imediato e apostar mais no crescimento das suas empresa no médio prazo, apostar na formação dos seus empregados e se necessário na sua própria formação. No Algarve isto é uma realidade, pelo que se convida os empresários da região a rever e repensar estas falhas, os seus motivos e a melhor forma de os resolver, em prol da boa imagem da região.

Para terminar, chamo a atenção de todos para o respeito mútuo, para a educação cívica - para o nosso comportamento como cidadãos - que facilmente nos ultrapassa nesta época sobrepovoada, mas que é tão importante para a qualidade da oferta dos nossos serviços.

Respeitem-se, tenham paciência e divirtam-se.

Alexandra Paradinha
Licenciada em Gestão de Empresas
Jornal "Região-Sul" 03.09.2003

 

Jornal 'Região Sul'

Comentar este artigo           Imprimir Imprimir

Voltar à Página de Alexandra Paradinha