As dificuldades estão patentes: é cada vez mais difícil para um jovem licenciado encontrar um emprego que requisite as suas habilitações.
Alegam os empregadores falta de experiência e fundamentalmente dificuldade em remunerar um funcionário com qualificações elevadas. Mas o que se esquecem, é que com mão-de-obra qualificada poderiam atingir resultados mais satisfatórios e projectar-se no mercado, principalmente em empresas de pequena/média dimensão, que sabemos predominam na nossa região.
O que se passa na realidade é que a nossa região não tem capacidade económica para empregar o número de licenciados que entra no mercado de trabalho todos os anos. Porque se continua a formar professores, sabendo à priori que dificilmente encontram emprego quando terminarem o curso? Este e outros cursos com o mesmo problema continuam abertos nas universidades da região e não há, como já disse, capacidade de empregar grande parte destes licenciados.
Voltando mais atrás, ainda no percurso escolar, podemos encontrar formas de minimizar no médio-longo prazo as consequências da falta de emprego.
Mas para que isso aconteça é preciso modificar mentalidades, tarefa difícil mas não impossível.
A década e meia que passou "produziu" excesso de quadros superiores sem que houvesse absorção do mercado, enquanto que se fragilizava o mercado de trabalho dos quadros técnicos, de sectores tradicionais.
É preciso desmistificar profissões que fazem falta à economia da região como a carpintaria, a canalização, a jardinagem, entre muitas outras profissões, que infelizmente não constituem objectivo de parte considerável da camada jovem. A "mania" da universidade fez com que estas profissões passassem, não para segundo, mas para terceiro plano. Todos querem ser doutores ou engenheiros mesmo sabendo que o seu destino é o desemprego, e quase ninguém quer ser carpinteiro ou jardineiro, sabendo que o conhecimento técnico/prático de uma profissão os pode ajudar a criar o próprio emprego.
É aqui que reside a solução para a nossa região, neste momento.
É de certa forma retroceder, com a convicção de que o passado nos ensina muita coisa, e voltar a apostar forte no Ensino Técnico/profissional: concluída a escolaridade obrigatória o jovem ao invés de seguir a via ensino, opta por um curso técnico/profissional que, em três anos, lhe ensina o exercício de uma profissão. Depois tem três opções: ou procura um emprego por conta de outrem com as habilitações que possui ou continua a estudar ou desenvolve um projecto de criação do próprio emprego e procura inserir-se no mercado do trabalho por conta própria. Neste sentido, existem alguns apoios do Estado, co-financiados pela União Europeia, que permitem a um jovem técnico com capacidade financeira reduzida, "avançar" com um projecto e tornar-se no seu próprio patrão.
Só que esta solução tem que ser aplicada no curto prazo, os fundos comunitários que co-financiam a formação profissional não tardam a escassear, e são sem dúvida uma rampa de lançamento que os membros da comunidade têm que aproveitar. Apostar na formação profissional, ensinar/aprender o exercício de uma profissão, dignificar sectores mistificados socialmente, são as prioridades que se alentam.
Através de um exemplo prático, podemos simular um percurso profissional de um jovem algarvio, com base na "solução"da via técnico/profissional:
Admitamos um jovem de 15,16 anos que terminou o 9.º ano de escolaridade e não sabe o que fazer - ou continua a estudar e tenta ir para a universidade, esperando melhores dias, ou vai procurar um emprego que o sustente no curto prazo com as habilitações que possui ou, e é esta a opção que se ajusta ao raciocínio que seguimos, frequenta um curso técnico profissional, durante três anos (se for aplicado, claro!), aprende uma profissão e fica habilitado com o 12.º ano de escolaridade.
Terminada a fase da aprendizagem, o jovem poderá iniciar o exercício da sua profissão.
Inscreve-se num Centro de Emprego, procurando um emprego por conta de outrem ou nesse mesmo local procura informação acerca da criação do próprio emprego, interpreta a legislação, ouve a informação de técnicos especializados e finalmente, bem fundamentado apresenta o seu projecto. Depois, é tentar dar o seu melhor para que o projecto resulte e lhe permita criar e manter a sua própria empresa.
Muitas vezes, as oportunidade passam-nos ao lado, porque nos esquecemos de entrar na auto-estrada da informação e não procuramos saber, pormenorizadamente, quais as oportunidades que a região, o país, a União europeia têm para nos oferecer e que melhor se adaptam ao nosso projecto-vida.
Mantenham-se atentos, pais, filhos, educadores e educandos - o canudo nem sempre é a solução!!!
Alexandra Paradinha
Licenciada em Gestão de Empresas
Jornal "Região-Sul" 01.10.2003