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Portugal: Ainda um País de Brandos Costumes?

Assumo que começo a ficar com algum receio pois, de há uns tempos para cá, com maior incidência nestes últimos dias, temos sido invadidos por notícias de assaltos a bombas de gasolina, bancos, casas e roubos a transeuntes com alguma violência à mistura. Enfim, tudo aquilo que nos habituámos a ouvir falar sobre ocorrências que acontecem em países com maiores índices de criminalidade, agora também fazem parte do nosso quotidiano.

Bem sei que não é de agora. Reconheço que quem acompanha mais de perto o mundo da criminalidade já se habituou a conviver com estas e outras notícias, por vezes bem mais complicadas.

Refiro-me ao grande público. Aquele que tem ficado atónito quando lê e ouve notícias do género: "homem barrica-se dentro de um banco em Almada", "assalto à mão armada em bomba de gasolina de São Marcos da Serra", "bares da Costa da Caparica a saque", "presos 4 jovens que assaltavam pessoas em Vilamoura", "moradias assaltadas durante a madrugada passada no Algarve", "três roubos numa hora no concelho de Santo Tirso", "taxista leva três facadas em Loulé depois de transportar um cliente", ou ainda, pasme-se, "razia de assaltos em boda de casamento".

Estes, tal como eu, ainda vão ficando estupefactos com estes acontecimentos e alarmados com o seu volume cada vez mais galopante.

A criminalidade já era preocupante e assume hoje proporções que merecem uma reflexão nacional. Estamos perante uma ameaça séria e com consequências nefastas.

Os dados não enganam. A criminalidade violenta e organizada, que inclui assaltos a dependências bancárias e a carrinhas de transporte de valores, aumentou 10,5 por cento em Portugal no primeiro semestre deste ano face a igual período de 2005.

Sei que não poderemos resolver facilmente esta questão. Não pretendo ser ingénuo. Mas quando afirmo que é urgente combater esta tendência, penso essencialmente na segurança de todos (bem que não tem preço e que merece tudo o que possamos fazer por ele), mas também na má imagem que um país muito virado para o turismo, e creio ainda de brandos costumes, possa dar a quem nos visita ou pretenda visitar.

Nós que somos um destino (Portugal) de eleição temos de fazer qualquer coisa para que esta escalada de violência tenha cobro.

Na minha modesta opinião, creio que há dois caminhos que importam trilhar quanto antes. Primeiro, no campo da prevenção e dissuasão, urge que sejam dados sinais fortes no sentido de endurecer as molduras penais que enquadram estas actividades ilícitas, para que não se pense que assaltar e roubar é uma mera aventura sem consequências. Segundo, no campo da acção propriamente dita, torna-se indispensável um reforço de meios e de recursos humanos nas nossas forças de segurança para que estas possam fazer o seu trabalho de uma forma mais digna e com maior eficácia.

São dois passos que podem ser significativos nesta luta que, mais cedo ou mais tarde, vai ser de todos, porque estas histórias que temos tido conhecimento não acontecem só aos outros. Espero que ainda possamos ir a tempo de inverter este cenário de algum terror.

Nuno Silva
Técnico de Recursos Humanos
Jornal "Região-Sul" 23.08.2006

Jornal 'Região Sul'

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