vialgarve                   
vialgarve                                Nuno Miguel Lopes Gaspar da Silva
Navigation Map
e-mail vialgarve

webmaster JNN
Carta Aberta à Minha Professora da Escola Primária

Senhora Professora Noémia, mesmo que tenham passado alguns anos sobre o tempo em que frequentei a escola primária, gostava que soubesse que me recordo perfeitamente de si. Honestamente, devo-lhe confessar também que recentemente esse conjunto de recordações suas e da Escola Primária do Bairro Pontal nº 2 em Portimão, onde me deu aulas no período compreendido entre 1981 e 1984, têm estado cada vez mais presentes face ao que se está a passar na área do ensino.

Sabe Professora Noémia, eu, embora saudosista de tudo aquilo que a vida teve de bom no passado (creio que neste aspecto serei igual a muitos outros), não me revejo muito na ânsia de afirmar que tudo o que havia antigamente era bom ao contrário de hoje. Todavia, face ao que tenho lido e ouvido através dos órgãos de comunicação social, não consigo de deixar de fazer uma comparação entre o respeito que nós, os alunos, tínhamos pela figura do professor nessa altura e a falta de consideração que muitos jovens hoje têm por quem lhes ensina algo importante para a sua própria vida.

Antes de mesmo de aprofundar esta questão, como não quero ser injusto nem ofender quem quer que seja, misturando o bom e o mau, impõe-se um esclarecimento adicional, isto é, as próximas linhas só servem mesmo para quem se porta mal. Mas passemos ao assunto em concreto…

Há uns tempos atrás, foi exibida na RTP 1 uma reportagem com autoria da jornalista Mafalda Gameiro. Durante alguns longos minutos foram expostas imagens captadas em sala de aula, feitas com a concordância de professores e do conselho directivo. Através destas, todos os portugueses ficaram chocados com os níveis de indisciplina completamente impensáveis seja naquela ou em qualquer outra escola do nosso país.

Mas a história não termina aqui. Qual não foi o meu espanto quando, em vez de serem punidos os alunos em causa e, desta forma, censurados os seus actos, o Ministério da Educação preferiu ignorar tais desventuras e decidiu protestar face à eventual suspeita de violação do direito à imagem dos alunos filmados.

Ora, Senhora Professora, acha mesmo que perante tamanhas barbaridades que todos assistimos (estima-se que esta reportagem foi vista por um milhão de pessoas), a primeira prioridade seria defender esses alunos? E quantos casos similares não existirão por esse país e que ficam/ficaram abafados pela vergonha ou pelo pudor dos ofendidos? E os agressores continuarão impunes como quase sempre? E os professores continuarão a ficar desamparados e sós?

Sabe, eu não costumo estar muito de acordo com os sindicatos quando estes apenas têm uma vista curta sobre a sua classe e ignoram tudo o resto. Todavia, desta vez, creio que têm razão em pedir explicações seja a este ou a outros governos quanto à falta de protecção que têm dado à figura do professor.

Professora Noémia, remato esta pequena crónica com o exemplo que foi para mim a sua postura de verticalidade, honestidade, dignidade e preocupação por ensinar. São essas qualidades, entre outras, que interessam proteger. São, no fundo, essas memórias que tenho de si que me permitem apelar a quem de direito que seja firme na condenação de todos os que não percebem que se não dermos boas condições aos professores, certamente, não teremos bons alunos e também pessoas bem formadas no futuro. É tão simples quanto isto!

Nuno Silva
Técnico de Recursos Humanos
Jornal "Região-Sul" 26.07.2006

Jornal 'Região Sul'

Comente este artigo

Comentários por HaloScan.com
Tiago Torégão João Nuno Neves Pedro Miguel Ortet Jorge Lami Leal Jorge Moedas Carlos Baía Lara Ferreira Hugo Leonardo Nuno Silva Alexandra Paradinha Pedro Gonçalves Miguel Antunes António Ramos Marco Rodrigues Alexandre Costa Outros