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O Presidente da República veio ao Algarve há poucos dias. Preocupado com alguns assuntos que estão intimamente ligados à nossa e também sua região, Cavaco Silva, soube resumir numa frase tudo o que me parece fazer falta ouvir e repetir desde há muito tempo. Ao pedir aos dezasseis autarcas que se unissem em torno das soluções que são necessárias encontrar para fazer face aos cortes (anuncia-se que rondarão os 75%) nas verbas atribuídas ao Algarve pelo futuro Quadro de Apoio, o mais alto magistrado da nação soube interpretar e diagnosticar um dos maiores problemas de que padecemos e que é responsável, a meu ver, por avultados prejuízos.

Já muitos escreveram que não há lóbi algarvio. Já muitos afirmaram que os nossos autarcas decidem de uma forma isolada, com uma visão redutora e sem se preocuparem com o ou os vizinhos do lado. Eu fui e sou um deles…

Precisamente neste jornal, já dei conta por duas vezes dessa desgraçada fatalidade. Salvo raras excepções, aquilo que designei e continuo a designar como a teoria das quintas, mais não é do que a constatação da prática corrente e que fez teoria no âmbito das decisões políticas. Ao abrigo desta estranha forma de vida, muito daquilo que se decidiu outrora, fez-se de uma forma avulsa e sem ter em conta as potencialidades do todo, preferindo-se trocar uma visão global em prol de um isolacionismo atroz.

Obviamente, estas atitudes deixaram marcas e mágoas que terão um preço, isto é, seremos nós os contribuintes líquidos dessa falta de visão e também, por ironia, os maiores prejudicados.

Passámos dos tempos de vacas gordas, como designa o mais comum dos cidadãos, para o tempo de vacas magras. Todavia, embora muito se tenha feito ao abrigo dos subsídios comunitários, hoje, todos temos a sensação de que poderia ter sido feito muito mais. Esta constatação, mais do que uma frase feita, é algo que poderia ser comprovado se fosse tornado público um apuramento que falta ser feito sobre a correcta ou incorrecta aplicabilidade do dinheiro atribuído pela União Europeia desde sempre e qual a relação custo/proveito desses investimentos. Não quero com esta pretensão criar qualquer tipo de suspeita sobre os autarcas ou sobre quem quer que seja, mas, nestas coisas, urge ter um rigor que não se compadece com a falta deste levantamento que seria muito útil em futuras discussões.

Ao dizer aos autarcas para se unirem em torno de projectos que possam servir o Algarve, Cavaco Silva veio ensinar uma receita que vai muito além de uma simples forma de utopia. Mesmo salvaguardando as nossas próprias especificidades geográficas e as necessidades singulares que daí decorrem, daqui para a frente, todos os autarcas serão obrigados a serem melhores gestores da causa pública, com vocação para exercerem um correcto domínio das áreas do planeamento e da gestão e, principalmente, com visão global e de futuro.

Infelizmente, tudo leva a crer que temos pela frente algumas adversidades. Por ironia ou por outra coisa qualquer, que ao menos isso nos obrigue finalmente a unir em torno daquilo que todos dizemos gostar: o Algarve.

Nuno Silva
Técnico de Recursos Humanos
Jornal do Algarve 20.07.2006

Jornal do Algarve

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