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Comprar um Automóvel: Uma Estranha Odisseia

Antes de dissecar uma história pessoal e verdadeira, importa fazer uma ressalva importante. Nos factos que descreverei a seguir, apesar da minha tristeza e desencanto, jamais tentarei confundir a parte com o todo. Como em tudo na vida, em qualquer parte, há boas e más pessoas, há bons e maus profissionais.

Aproveito as próximas linhas para vos contar uma odisseia daquelas que apenas podem parecer ter piada quando as escutamos na boca dos outros.

O ramo automóvel vive um período de recessão. Todos o sabemos. Tirando honrosas excepções, em marcas que estão bem acima da carteira comum do português, as vendas decresceram e o mercado está estagnado. Em consequência, cresceram os apelos ao crédito, aumentaram as promoções e os descontos mirabolantes e intensificaram-se as campanhas que nos seduzem para a compra de um carro novo.

Há dois meses eu quis comprar um carro novo, dando como retoma o que tinha na altura. Comecei por visitar algumas marcas, cujos vendedores foram fazendo as suas próprias avaliações. Foi a partir deste momento que comecei a sentir algum desconforto perante tantas propostas, perante tantos cenários diferentes. Já sei que isto, como me foi repetido até à exaustão como que se me estivessem a passar um atestado de burrice, é tudo normal face ao próprio negócio em si. Obviamente não concordo nem aceito.

O meu carro foi avaliado em 8000,7750,7600,7500,6933,6500 e 6000 euros. Valores para todos os gostos portanto. Quanto ao preço do carro novo e respectiva "atenção" que podiam fazer tive várias propostas. Uns propuseram apenas 270 euros de desconto, outros, bem mais generosos, conseguiram ir até aos 2786, com a particularidade desta "atenção" ter passado de 786 para 2786 euros em apenas quatro horas. No mínimo, espectacular.

As atenções foram tão significativas que a meio da minha prospecção de mercado, tendo sempre o cuidado de nunca omitir este facto, fui-me apercebendo das diferenças abismais entre Faro e Portimão em carros da mesma marca. Não estamos a falar de 50 nem de 100 euros. Houve casos em que a diferença se cifrou nos mil euros, facto que deixou um dos vendedores à beira de um ataque de nervos com os seus próprios colegas!!! Mas não ficam por aqui as histórias. Desde a pura maledicência entre colegas da mesma marca (aconteceu muito frequentemente), desde orçamentos que eram inalteráveis e que depois miraculosamente afinal sempre se podia fazer mais uma "atenção", passando por um caso de um vendedor muito reputado na praça que acrescentou mais 350 euros ao preço do carro (situação que foi prontamente desmascarada pelo próprio colega de outra cidade!!!), passando pelo caso de um outro vendedor que me assegurou que a avaliação que tinha em seu poder referente ao meu carro seria igual à de outra marca (apesar de serem concorrentes são duas marcas com o mesmo representante numa determinada localidade) tendo-se descoberto posteriormente que tinham desaparecido como por magia 1500 euros no valor que me foi comunicado, até à história de outro vendedor que acordou comigo uma data e um valor para fecharmos negócio e que, depois de lá ter estado uma hora e meia, mandou-me ir ao stand no dia seguinte tendo, durante este intervalo de tempo, alterado os valores que estavam acordados porque, pasme-se, "o meu carro tinha desvalorizado 1250 euros em 30 dias".

Enfim, apesar de ter mais histórias para vos contar, creio que estas que vos descrevi dão um claro sinal do que são maus vendedores e pessoas mal formadas que põem em risco todos os dias a marca que representam.

Por outro lado, importa reconhecer, tal como o fiz no início, que também contactei com vendedores que foram o oposto. Desde sempre se assumiram simpáticos, eficientes e honestos. Acredito que no negócio ainda há espaço para estes valores. Contudo, foram os maus exemplos que me ficaram na memória. É triste que assim seja. Como tal, em nome do facto de sermos todos compradores, inclusive quem é vendedor e não merece ficar refém destes exemplos de maus colegas, devemos denunciar estas situações.

Eu próprio darei o exemplo numa queixa que irei elaborar sobre um vendedor de uma das marcas que visitei enviando também uma cópia da mesma para a DECO. Sabem, ao contrário do que alguns vendedores nos tentam fazer crer, não há crime algum em tentar fazer um bom negócio, desde que nos assumamos como educados e honestos, fazendo fé que temos pessoas à nossa frente com os mesmos predicados. Infelizmente, enquanto andei por aí, durante quase dois meses, tive de me confrontar com situações que nenhuma teoria de vendas conseguirá explicar. Apesar de nos tentarem explicar que tudo é normal no negócio, a maledicência entre os próprios colegas da mesma marca, a sensação de nos sentirmos burlados com os preços, o facto de não honrarem a palavra que nos dão e outras atitudes que lamento profundamente jamais serão toleráveis. Ninguém gosta de se sentir enganado. Muito menos eu. Afinal só quis mesmo comprar um carro tentando fazer um bom negócio. Será crime?

Nuno Silva
Técnico de Recursos Humanos
Jornal do Algarve 01.06.2006

Jornal do Algarve

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