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E Lá Vamos Nós Outra Vez…

É cíclico. Céu azul, um pouco de calor e aí vamos todos para a praia. Somos assim. Gente que gosta do mar e que aproveita os primeiros devaneios do termómetro para tirar o bafio às roupas, guardadas com mágoa nos roupeiros. Não fujo à regra. Também gosto. Principalmente desta época, a primavera. Mais do que o verão, esta estação entusiasma-me pelo cheiro, pelas paisagens verdejantes, pela transição climatérica e pelo abandono efectivo do Inverno cinzento. Gosto demasiadamente disto para poder explicá-lo melhor. Acho mesmo que esta convicção não se explica. Sente-se, vive-se.

Todavia há que saber viver isto. Somos todos algarvios. Seja por nascimento e/ou por adopção. Se o somos e se não temos vergonha de o assumir, também temos que ser responsáveis pelo que a natureza nos oferece e pelas condições que a mesma proporciona. Vem isto a propósito de um Algarve que se transfigura completamente por estas alturas.

De repente, sítios que nos habituámos a ver desertos, sem expressão, quase abandonados, passam a ser pólos de reuniões de pessoas, ou clientes se preferirem, ávidos de poder passear, comer, fazer compras ou algo mais nesses locais.

Começa de novo a azáfama da restauração, a louca vida da hotelaria e até o próprio comércio sente um novo alento para poder respirar melhor, pese embora todas as dificuldades económicas que atravessamos.

Isto seria um cenário económico normal se tudo, ou quase tudo, não se resumisse a tal. A nossa região é muito disto que descrevi. Chega a ser excessivo até. Se tivermos em conta que sessenta por cento das pessoas estão directamente ligadas ao turismo e mais as outras que o estão de uma forma indirecta, chegamos facilmente à conclusão que não podemos ficar de braços cruzados. Não querendo ser pessimista nem mau agoiro, torna-se inevitável questionar: e se um dia o São Pedro não permitir que este clima continue ou, numa perspectiva mais terrena, se as transformações climáticas que todos os cientistas confirmam serem possíveis e irremediavelmente inadiáveis, influenciarem o tempo ameno e as tais condições com que todos nos deleitamos no Algarve?

E, se um dia, a nossa costa que tanto apreciamos, for ameaçada por um desastre ambiental, consequência de um acidente com um navio daqueles que habitualmente cruzam as nossas águas? Poderia continuar a colocar mais questões. Umas com resposta controlada, outras, como estas que atrás coloquei, sem resposta e com variantes mais imprevisíveis.

A questão central não é de hoje e, como se costuma dizer, já tem barbas. Tudo se concentra no mesmo exercício de reflexão, isto é, como é que a região lidaria com uma perda momentânea ou prolongada do turismo. E se um dia nos assassinassem a galinha dos ovos de ouro?

Tal é preocupante e dá que pensar. Já que não podemos prever o imprevisível, convém considerar seriamente aquilo que está ao nosso alcance. Há muito que reivindico mais formação profissional, maior empenho na diversidade de oferta aos turistas, um casamento mais consentâneo entre o ambiente e os projectos turísticos aqui construídos, incentivos para a criação de empresas de serviços talhadas pelas nossas características, uma protecção à agricultura segundo as nossas especificidades e espaços condignos para a pequena/média indústria. Acima de tudo, num mundo em que já foi quase tudo inventado, urge que tenhamos muita criatividade na reconstrução de uma região que nos merece tudo. Há ainda muita coisa por fazer e inovar. Há, sobretudo, uma região para ganhar fazendo com que seja mais auto sustentável e desenvolvida.

Peço desculpa se lhe interrompi um possível momento de lazer neste Algarve que não me canso de admirar. Mas da próxima vez que estiver a desfrutar das benesses do nosso clima e das agradáveis paisagens que temos, pense nisto.

Nuno Silva
Técnico de Recursos Humanos
Jornal do Algarve 20.04.2006

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