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Mitos com Pés de Barro

As relações interpessoais têm muito que se lhe diga. Desde os comportamentos, passando pelas atitudes ou pela maneira como agimos e interagimos, tudo pode e deve ser alvo de uma ou várias reflexões, apontando sempre como ponto de referência o possível antagonismo entre o que pretendemos ser e o que somos de facto.

Hoje, ser um exemplo para os outros, numa sociedade que vive ao segundo, exige de nós uma linha de coerência, aqui e acolá com erros (ninguém é perfeito), mas com um sentido de vida que possa ensinar e orientar outras pessoas a viver.

Todos temos referências. Todos nos sentimos atraídos pela maneira de viver de uma ou mais pessoas. Enfim, quase todos…

Há também aquilo que designo como os inspiradores deles próprios. São, geralmente, pessoas que cultivam um saber viver (e, prometo, já falarei disto mais à frente) que entusiasma uns quantos mas desilude certamente muitos outros.

Trata-se de uma cultura muito própria baseada numa mistura de autismo com uma dose grande de cinismo, o que se traduz num misto de arrogância e prepotência. São pessoas que se consideram candidatos a mitos. Ora aqui está a razão destas palavras e onde pretendo chegar. Inocentemente ou talvez não, para não escrever outra palavra mais feia, esta gente gosta de pavonear ditos e feitos que até podem soar muito bem, mas que são desprovidos de algo que, na minha opinião, é o essencial, ou seja, a capacidade de saber viver como deve ser. Reforço o como deve ser…

Aquilo que estamos habituados a designar como saber viver é, quase sempre, uma falácia. É-o porque as pessoas que sabem efectivamente viver, são aquelas que não se pavoneiam com isso, mesmo que possam ser classificadas pelos outros.

Não se sabe viver quando não sabemos compreender nem ouvir os outros. Não se sabe viver quando se persegue ou se tem uma cultura de domínio. Não se sabe viver quando se põem em prática as lições que a vida nos ensinou de uma forma atroz e apenas em proveito próprio. Essencialmente, não se sabe viver quando se é incoerente vendendo certos princípios que nos são proclamados como leis mas que não são seguidos sequer pelos próprios.

Há pessoas que são um logro e que desiludem. Há gente que quer ser um exemplo e que cultiva uma candidatura permanente a mito mas que depois não são nada. São coisas que se adaptam e que erradamente são classificadas como gente que parece saber viver. No fundo, são pessoas sem coluna vertebral com fortes parecenças aos répteis que se contorcem todos, entregues a tudo o que consigam agarrar para se manterem à superfície. Vendem-se, se isso for necessário. Abdicam da sua liberdade em prol de mais uma graxa. Sorriem mesmo quando não concordam, usam o seu silêncio como uma atitude interesseira passando uma imagem que fazem e controlam tudo, como que a convidar os mais desatentos para que contribuam para a sua própria mistificação. São mitos com pés de barro daqueles que, inevitavelmente, estalam e ficam em cacos.

Mesmo que não tenhamos a auréola de pessoas aparentemente esforçadas, muitos de nós somos diferentes. Vale-nos o facto de sermos mais educados, mais sensatos e preservarmos a coerência. A educação que recebi vai nesse sentido. Nas condições que retratei, jamais quererei ser um mito. Prometo.

Nuno Silva
Técnico de Recursos Humanos
Jornal do Algarve 23.03.2006

Jornal do Algarve

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