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Ainda vale a pena pensar…

As convicções são algo genuíno. Não se trocam nem se devem inferiorizar ao quotidiano, por mais que ele sugira que as devêssemos mudar. Quando pensamos, existimos. Quando sabemos que é por ali e não por além que queremos ir, demonstramos a nossa personalidade.

São decisões por vezes difíceis. São as vontades, as ideias e os pensamentos que marcam o ser humano e que nos distinguem dos outros. É, como se diz na gíria, ter a coluna direita, com olhar firme e convicto das suas opções.

Tenho todo o respeito pelas pessoas que fazem deste comportamento a sua forma de vida. Admiro quem pensa e quem sabe fazer das suas convicções algo que sustenta sem medo das consequências que essa "intransigência" possa significar.

Quando somos mais fracos, caímos na tentação de não dar o devido valor a todas essas pessoas. Ora porque não pensam como nós, ora porque achamos que são teimosas. Esquecemo-nos, porém, que essas mesmas pessoas podem, perfeitamente, pensar o mesmo de nós. É legítimo. Mas, mesmo que assim seja, se nos derem a optar entre aqueles que não têm ideias ou os que as têm, creio que todos preferimos os últimos.

Acontece que anda por aí uma estranha moda, cada vez mais frequente, que premeia os que não são nem carne nem peixe.

Hoje, em tantas situações que podem abarcar variadíssimos aspectos, é comum encontrarmos pessoas que alinham em todos os campos. Não pensam. Não lhes conhecemos quaisquer ideias. Rejeitam dar a cara. Inventam mil desculpas para não se comprometerem.

Este comportamento, que abomino de uma forma vigorosa, é horrorosamente marcante. Esta cultura de estar bem com todos tem muito que se lhe diga. É como se fosse uma força de uma certa cultura que parece enraizada e que, ainda por cima, premeia a cobardia, a falta de pensamento e uma retracção que no fim muitos dizem valer a pena.

Desconfiemos pois de tantos homens e mulheres que gostam de estar sempre com os vencedores. Desconfiemos e censuremos todos aqueles que mais não são do que um punhado de anónimos a quem a vida nada lhes devia dar.

As convicções são o sal da vida. Sem sal não há tempero. Podemos mudar de convicções, se compreendermos que estas afinal até estavam erradas. Podemos dar a mão à palmatória compreendendo que da evolução se faz o pensamento. Não devemos é aceitar essa cultura do silêncio cómodo e, infelizmente, estranhamente eficaz.

Nesta sociedade onde alguns nos querem mandar para uma qualquer palhota só porque pensamos, o melhor remédio é ignorar as mensagens anónimas de todos aqueles que se julgam heróis mas que depois são o produto da mesquinhez e da cobardia.

Saber conviver com as ideias dos outros, mesmo que sejam diametralmente opostas às nossas, é uma virtude e não um fastio. Saber pensar e aguentar todas as consequências do que afirmamos e defendemos, é a melhor receita para exterminar a tal cultura de quem nem é carne nem peixe. Muitos de vós sabem que vale a pena decidir, pensar e ter convicções. Isso tranquiliza-me. Os outros que continuem a pensar que ganham mais em ser assim ou que nos são superiores. Coitados…

Nuno Silva
Técnico de Recursos Humanos
Jornal "Região-Sul" 08.12.2004

Jornal 'Região Sul'

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