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Acha que Portugal deveria apoiar mais os seus atletas olímpicos?
(rúbrica "frente e verso")

Ao olhar para a televisão, não evitei aquela sensação de desânimo. É sempre assim. É cruel, eu sei. Mas é mais forte, como que fosse uma sensação irreverente que se sobrepõe à ideia que tenho sobre a participação dos nossos atletas olímpicos.

Volto a escrever para que não haja dúvida. É cruel este sentimento. Compreendo o esforço de todos os participantes nas olimpíadas. Sei que tentaram cumprir os seus objectivos, sempre no limiar das suas capacidades físicas, indo assim ao encontro das palavras do Primeiro-Ministro de Portugal, Dr. Pedro Santana Lopes, que os exortou a "superarem-se a si próprios para que possam ter a consciência tranquila e o dever cumprido". Aceito, por isso, sem reservas nem qualquer tipo de suspeita que assim foi. Todavia, ver os outros atletas repetidamente à nossa frente, e escudarmo-nos muitas vezes nas vitórias morais (modalidade em que somos sempre recordistas), deixa aquele amargo de boca que é necessário corrigir para que possamos ter outras ambições.

A comitiva portuguesa para Atenas 2004 foi constituída por 82 atletas, distribuídos por 17 modalidades, tantas quantas aquelas em que Portugal esteve representado em Sydney em 2000. O grande objectivo formulado para a nossa comitiva assentou na aposta da "melhor representação de sempre em termos de média de resultados", desejo expresso por Vicente de Moura, Presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP).

De facto, tendo em conta o desejado e o conseguido, somos obrigados a concluir que tal desígnio foi conseguido, através de uma classificação que totalizou 43 pontos (mais treze do que nos últimos jogos), incluindo duas medalhas de prata (Sérgio Paulinho e Francis Obikwelu), uma medalha de bronze (Rui Silva) e nove diplomas olímpicos, consequentes de classificações honrosas.

Este resultado, que apenas tem paralelo nos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 1984, é considerado como "a melhor prestação de sempre", tendo em conta que apenas entrámos em quinze por cento das provas totais em Atenas. Mesmo assim, o tal sentimento de desânimo teima em ficar presente, questionando se tal nos é suficiente? Sei que o governo, o COP e o Instituto do Desporto de Portugal (IDP), cumpriram atempadamente com os compromissos financeiros, como confirma Susana Feitor em entrevista concedida ao Diário de Notícias, reconhecendo também o esforço na construção de um novo centro médico no Jamor e dos dois centros de preparação olímpica em Vila Real de Santo António e Rio Maior. Mas, a mesma atleta, afirma também que "ainda há muito para fazer, sobretudo ao nível do treino dos atletas".

Creio que esta frase deve-nos obrigar a reflectir em conjunto sobre quais as responsabilidades de cada um, tendo em conta que faltam apenas quatro anos para as olimpíadas de Pequim. Defendo, como português que gosta de desporto (palavra que não significa apenas futebol, como escreveu recentemente Tiago Torégão), que haja um maior entrosamento entre todos, nomeadamente, entre as federações, o COP, o IDP e o governo, para que os nossos quinhentos mil atletas federados tenham mais condições de treino e entre eles, os melhores, possam representar-nos condignamente. Apenas desta forma, o Francis, o Rui e o Sérgio, mas também os jovens como o Emanuel Silva (18 anos) e a Diana Gomes (16 anos), entre tantos outros, poderão conquistar mais vitórias. Só assim, teremos motivos de sobra para mandar o desânimo do costume às urtigas.

Nuno Silva
Técnico de Recursos Humanos
Jornal Barlavento 02.09.2004

Jornal Barlavento

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