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Matar ou Morrer

É irreversível. Desta vez, assumo que temos de encarar o problema dos incêndios florestais como uma guerra. Depois de tanta floresta perdida, depois de tantos bens consumidos pelo apetite voraz das chamas, depois de tantas desgraças pessoais que temos tido conhecimento, não podemos ficar de braços cruzados.

É tempo de guerra e, como tal, é tempo de agir. A luta diária que todos travamos, de uma forma mais ou menos directa, não se compadece com uma certa apatia que se instala quando o verão se despede.

A guerra aos incêndios florestais e aos criminosos que atentam contra a humanidade tem que ser declarada. Proponho alguns contributos para o debate:

Primeiro, assumamos de uma vez por todas, que quem incendeia de propósito as nossas florestas, esses… (o leitor(a) que lhe ponha o nome que a sua consciência mais lhe ditar), está de facto a cometer um crime que lesa a humanidade. Poderá não ter o encaixe legal que têm outros crimes horrendos cometidos principalmente em tempo de guerra. Mas tenho muita dificuldade em olhar para um criminoso destes, sabendo que do seu crime resultará um vazio de floresta e de qualidade de vida única e irreparável, sem pensar no futuro de todos nós. Ora, se o crime praticado afecta o património do qual dependemos (meio ambiente), então essa pessoa está a agir contra a própria humanidade.

Segundo, como escrevi no ano passado sobre o mesmo assunto, nada pode ser como dantes. E mesmo que esta frase feita, seja sempre pronunciada após as tragédias, trezentos mil hectares de terra ardida em 2003 e outros tantos já durante este ano, várias mortes, milhares de euros de bens consumidos pelas chamas e uma desgraça humana e ambiental que não são quantificáveis, merecem um conjunto de respostas elucidativas e acções que previnam a reedição de um cenário tão dantesco. Por isso, é importante prevenir. Por mais voltas que este assunto tenha, não o podemos dominar se não for executada uma política de prevenção rigorosa, capaz de surpreender os incendiários e não o contrário, como infelizmente sucede.

Terceiro, é necessário reforçar e modernizar o material de combate aos fogos. Bem sei que Portugal ainda manifesta algumas dificuldades económicas, herdadas do governo socialista. Mas, para além de serem dinheiros aplicados na defesa do que nos é importante, não podemos continuar a permitir a luta desigual entre os bombeiros e fogos, quando daí advém consequências terríveis.

Quarto, a justiça tem que ser repensada. É tempo de revermos no código penal, as medidas previstas para serem aplicadas a quem pratica tais crimes. Exige-se uma mão pesada que garanta, desde logo, penalizações mais severas aos prevaricadores.

É importante que não continuemos a ter uma certa sensação de impunidade, que não sei se será correcta, mas é fruto da leitura dos inúmeros casos que são tornados públicos, nomeadamente, quando se trata de infractores reincidentes.

Chegámos pois à guerra. Isto já não vai de outra maneira. É o futuro de todos nós que está em causa. Ou matamos, ou morremos.

Nuno Silva
Técnico de Recursos Humanos
Jornal "Região-Sul" 04.08.2004

Jornal 'Região Sul'

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