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Os resultados eleitorais para o Parlamento Europeu são o reflexo da actual política governamental. Porquê? Como alterar a abstenção crónica que se verifica sempre nestas eleições?
(rúbrica "frente e verso")

Na minha opinião, e segundo os dados que nos são apresentados pelo STAPE, qualquer relação directa (sublinho a palavra) entre a votação das eleições europeias e das eleições legislativas parece-me perfeitamente abusiva. Poderemos abordar esta questão relacionando indirectamente algum descontentamento que existe, o número excessivo de abstencionistas e alguns dos votos que não sendo a favor de ninguém pretenderam ser contra alguém (conceito que é difícil de apurar), mas baptizar os resultados eleitorais de ontem como uma enorme "moção de censura", é misturar conceitos e tentar ganhar fora de tempo o que alguns partidos perderam em Março de 2002.

Regressemos à relação causa/efeito directa que muitos querem fazer passar. Estas eleições não respeitaram o essencial. Foram permanentemente utilizadas por uma ausência de uma discussão séria sobre o que era mais importante. Todos os partidos, considerados hoje vencedores deste escrutínio, trocaram a Europa, os seus problemas, as suas oportunidades, os novos desafios no quadro do recente alargamento e até a nossa capacidade de afirmação no seu seio, pela discussão de outros assuntos que, objectivamente, se deveriam discutir noutros momentos.

A esquerda portuguesa gosta de agitar. E agitou tanto que lá conseguiu capitalizar o desconforto de uma situação de crise económica, em que todos tivemos de fazer vários sacrifícios para corrigir uma situação agravada pela herança que o PS nos deixou.

Essa herança que Ferro Rodrigues diz ter sido legitimada ontem, mais não é do que o reflexo de quem governou pelas sondagens e deu tudo o que tinha e o que não tinha. Até poderíamos catalogar tais intentos como uma questão de estilo. Porém, continuo a preferir um governo sério que nos fale verdade, do que um governo simpático que nos conte mentiras. Exorto pois o Governo de Portugal a continuar a ser sério. Mesmo que isso signifique ser penalizado noutras eleições, prefiro que o nosso país tenha condições para se desenvolver social e economicamente.

O epílogo destas eleições não andará muito longe do que a seguir escrevo. No dia 13 de Junho houve um vencedor e um aviso indirecto ao Governo. Dividamos a conclusão: Quanto ao vencedor, o Partido Socialista, gostaria de lhe manifestar as minhas felicitações pela sua vitória, consubstanciada no maior número de votos registados e na eleição do maior número de deputados.

A efusiva comemoração deste facto parece-me excessiva mas compreensível. Basta recordar o caos político que tem atravessado desde que perdeu as eleições legislativas, quadro em que uma vitória tem tendência para ser interpretada como extravagante. O PS viu nestas eleições a oportunidade de capitalizar algum descontentamento, a necessidade de legitimar uma liderança e a possibilidade de tentar readquirir a posição perdida de líder da oposição. Conseguiu as primeiras duas. Quase tudo foi permitido para alcançar qualquer uma delas, mas, mesmo nessas condições, registo com bastante agrado a legitimação da liderança de Ferro Rodrigues pois, apesar de não ser militante socialista, defendo que deve continuar como seu Secretário-Geral.

Quanto ao PSD e ao CDS-PP devem interpretar o tal aviso indirecto que os portugueses lhes transmitiram. Repito que embora não possamos confundir o que não deve ser confundido, logo os cartões amarelos e vermelhos só têm espaço para existir nos relvados que acolhem o Euro 2004, qualquer resultado eleitoral desfavorável merece sempre uma reflexão cuidada e uma posterior correcção dos erros cometidos.

Uma última palavra para a abstenção. Peço, desde logo, desculpa pela rudeza das minhas palavras, mas não concebo os motivos enunciados para justificar o não exercício desse direito de cidadania. Não será tempo de repensarmos este assunto? Ou teremos que passar a defender a instituição do voto obrigatório?

Nuno Silva
Técnico de Recursos Humanos
Jornal Barlavento 17.06.2004

Jornal Barlavento

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