Ao princípio senti receio. Como não sou especialista nesta matéria, achei que um conjunto de palavras mal aprofundadas pudessem ser contraproducentes. Depois de alguma reflexão, conversas com amigos e uma procura exaustiva do tema na Internet, deixei-me levar pela importância que o assunto merece.
Quando se trata de abordar o ordenamento daquilo que nos habituámos a ver desordenado, vale sempre a pena uma intervenção nossa, por muito "arcaica" que esta possa parecer. Basta que estejamos cientes que a mesma, procurando ser um contributo para a defesa do nosso bem comum, é também, e desculpem-me a frase feita, uma preocupação com o futuro de todos nós.
Encaremos pois, a questão que é colocada. Não acredito que o Governo esteja a aprovar, sem critérios definidos e justificados, quaisquer tipo de empreendimentos. Seria um erro crasso se o fizesse, pois estaria ao arrepio das intenções já manifestadas publicamente.
Quero, por isso, aceitar que o comportamento do Governo, fazendo fé no espírito da questão colocada, procure ser a tentativa de resolver alguns assuntos pendentes, que estando dentro do quadro da legalidade e interesse público, não devem sofrer mais atrasos. Só assim, serão justificadas, algumas hipotéticas decisões do Governo nesta matéria.
Quando escrevo isto, afirmo-o com boa fé. Faço-o porque sei que qualquer governo, mais à esquerda, mais ao centro ou mais à direita, entende e procurará sempre, fazer qualquer coisa para preparar um conjunto de políticas e orientações que salvaguardem o que temos de melhor: o nosso território e tudo o que a ele diz respeito.
Não quero encontrar culpados aqui. Mas também não pretendo esconder, a frustração que sinto quando estou frente a frente com alguns aglomerados urbanos, autênticos vícios do passado e algo que nos envergonha a todos.
Apesar de serem exemplos que poderão parecer longínquos e fruto de uma época de construção desenfreada, não devem ser esquecidos, porque os interesses estarão sempre presentes e as tentações residirão sempre na mente de muitos.
Tudo isto tornará sempre difícil a discussão e implementação de qualquer Plano.
Na minha pesquisa, tive a oportunidade de confrontar as posições de algumas populações, dos empresários do turismo, associações ambientais, do próprio governo, da oposição, etc.
Escusado será dizer que ninguém se entende. É habitual. Por isso, é urgente que o POOC seja uma realidade, salvaguardando, dentro do possível, o resultado da discussão pública e os contributos apresentados pelas instituições, procurando ser um instrumento eficaz, coerente com a realidade que temos, rigoroso nos propósitos e na aplicação.
É importante que seja rapidamente aprovado e concretizado. Sei que muitos discordam deste procedimento tão rápido, preferindo eternizar a discussão, na ânsia de poderem fazer vingar o seu ponto de vista.
Justifico a minha ideia com o seguinte. Enquanto andarmos a discutir, a formular e a reformular, estamos a deixar espaço para que tudo fique na mesma. Isso, é precisamente a antítese do que todos exigem. Acho que, pelo menos, nisto, todos estaremos de acordo.
Nuno Silva
Técnico de Recursos Humanos
Jornal Barlavento 04.09.2003