logo NOVA ALTERNATIVA por Ricardo Baptista

Turismo de Qualidade e Amêndoas da Páscoa

Desde sempre se pediu turismo de qualidade para o Algarve, e finalmente agora algumas grandes empresas do turismo começaram a assumir esse desafio de uma forma mais clara e efectiva e estão a entrar em processos qualificação dos seus colaboradores, promoção da qualidade dos seus produtos e serviços, e mesmo implementando Sistemas de Gestão da Qualidade.

Infelizmente um destino turístico como o Algarve é como um pacote de amêndoas da páscoa. Do mesmo modo que basta uma amêndoa amarga no pacote para nos ficar um amargo de boca que nos fará hesitar na hora de comer mais amêndoas, também basta uma má experiência num qualquer local turístico para evitar voltar a esse destino.

Basta um mau atendimento num café, uma má refeição num restaurante ou uma reclamação mal recebida num hotel, para que o esforço de qualidade feito por alguns caia por terra e o estatuto do Algarve como destino turístico de qualidade fique manchado.

No caso dos turistas nacionais o caso não será tão grave, já que estes mal ou bem atendidos serão sempre críticos em relação a tudo mas acabarão por voltar sempre. Mas no caso dos turistas estrangeiros bastará uma má experiência numa estadia de sonho para que não voltem e transmitam a todos os amigos a ideia de que o turismo no Algarve é de má qualidade.

É portanto fundamental que a qualidade do turismo algarvio se manifeste a todos os níveis em todos os locais, não basta ter locais e estabelecimentos com muita qualidade se estes conviverem com outros onde a qualidade é manifestamente muito fraca. Temos de ter qualidade em todo o Algarve.

Procurava encontrar um órgão ou entidade a quem atribuir responsabilidades e incitar a fazer mais neste campo, mas parece-me que esta responsabilidade é principalmente de todos nós. É nossa responsabilidade no nosso dia-a-dia exigir mais, reclamar mais (quando oportuno e justificado), enfim procurar elevar a qualidade do Algarve.

Tudo no sentido de adoçar as amêndoas amargas do nosso turismo (porque as há), ou mesmo retirá-las de circulação de modo a garantir um pacote mais doce, um destino turístico com mais qualidade.

Jorge Moedas
Engenheiro do Ambiente
Jornal "Região-Sul" 30.04.2003

 

Jornal 'Região Sul'

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