logo ALTERNATIVA por Ricardo Baptista

Desmistificar o Golfe

Continuo, no meu dia-a-dia, a cruzar-me com pessoas que têm uma opinião extremamente negativa, do ponto de vista ambiental, da actividade golfista. Uma opinião que frequentemente nem conseguem fundamentar, mas que defendem afincadamente. É uma ideia que lhes foi incutida, um preconceito tão enraizado que nem é percebido como tal. Criou-se uma espécie de mito em torno do golfe que impede que este seja olhado com objectividade.

O golfe é uma actividade que desperta paixões, obviamente não à dimensão do futebol, mas desperta paixões e tem gerado grande polémica em termos ambientais. Para uns é uma actividade geradora de grandes benefícios socioeconómicos que promove o contacto com a Natureza, para outros é um sorvedouro de recursos naturais e uma fonte de poluição a irradicar do país.

Entendo que, por um lado, alguns maus exemplos de gestão e particularmente de localização de campos de golfe tenham levado a uma extremização das posições ambientalistas, e por outro, que o amor que a generalidade dos golfistas tem à Natureza não lhes permita conceber que um espaço como o golfe, uma enorme área verde que alberga tanto habitat para tantos animais, possa causar impacte ambiental. Não entendo é que não exista abertura para olhar para o golfe de forma desapaixonada e sem preconceitos e de forma objectiva analisar cada situação como um caso (obviamente sem perder de vista um enquadramento geral).

De facto o golfe, como qualquer outra actividade, gera impactes no meio onde se insere: impactes negativos nos quais se destacam o consumo de água e de produtos químicos; impactes positivos, uns mais evidentes, na economia local e regional, e outros menos conhecidos como a promoção de habitat para algumas espécies de fauna, particularmente espécies sensíveis de aves.

Obedecendo a duas premissas fundamentais: correcta localização e correcta gestão (e para assegurar estas premissas existe uma ferramenta chamada Avaliação de Impacte Ambiental), um campo de golfe pode ser uma actividade cujos impactes negativos são e são decididamente inferiores à maioria das actividades que se podem desenvolver no Algarve, e cujos impactes positivos são muito importantes a nível ecológico na promoção da biodiversidade e de habitat para algumas espécies, e a nível socioeconomico na quebra da sazonalidade.

Torna-se portanto fundamental desmistificar o golfe de modo a que o dialogo e aproximação de posições permita duas coisas fundamentais: não inviabilizar à partida novos projectos de golfe, mas ao mesmo tempo e garantir que tanto os novos projectos como os golfes existentes incorporam as devidas preocupações ambientais assegurando assim a inquestionável protecção ambiental e a promoção da qualidade ambiental no Algarve.

O que se pretende com o discurso anterior, que é válido para o caso do golfe mas também o será para outros casos, é exaltar o conceito de desenvolvimento sustentado. Não se pode impedir o desenvolvimento de uma região, mas este tem obrigatoriamente de ser feito de forma sustentada cumprindo com todas as premissas de protecção ambiental.

Jorge Moedas
Engenheiro do Ambiente
Notícias do Algarve 20.06.2002

 

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