Fábula Algarvia da Cigarra e da Formiga
A conhecida fábula da cigarra e da formiga tentava transmitir a mensagem de que é necessário trabalhar em tempos de abundância, o Verão, para sobreviver em tempos difíceis, o Inverno, e por esse motivo a, enquanto a cigarra cantava, a formiguinha protagonista trabalhava todo o Verão, para se aguentar ao rigoroso Inverno e não morrer de fome e frio.
Felizmente que a pobre formiguinha não era algarvia, porque se o fosse não lhe seria suficiente trabalhar no Verão para garantir o Inverno, teria de trabalhar no Inverno para garantir o Verão.
Passo esta fábula para o plano do turismo algarvio para dizer o seguinte: é fundamental que as empresas de cariz turístico trabalhem muito e bem não só no Verão mas que continuem a trabalhar muito e bem no Inverno, apostando nesta altura na qualificação e formação dos seus quadros, na manutenção e actualização dos seus equipamentos, na implementação de modelos de gestão da qualidade e ambiente. Frequentemente nas épocas de abundância há falhas, há clientes insatisfeitos e os produtos turísticos não melhoram a sua qualidade porque faltou o planeamento onde se definissem e programassem, em tempo devido (na época baixa), medidas que permitissem precaver falhas e implementar melhorias.
Tudo isto para dizer que se de facto somos atarefadas formiguinhas no Verão, não podemos ser cantarolantes cigarras no Inverno, pois é nesta altura que se lançam as bases para obter continuados Verões de abundância.
Jorge Moedas
Engenheiro do Ambiente
Jornal "Região-Sul" 21.01.2004
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