logo NOVA ALTERNATIVA por Ricardo Baptista

A seita do Ambiente no Algarve

Assisti recentemente a mais um seminário sobre turismo e ambiente, neste caso mais especificamente sobre turismo e sustentabilidade, uma iniciativa da Região de Turismo do Algarve em conjunto com a Embaixada Britânica em Portugal.

Há anos que assisto a seminários, debates e conferências sobre este tema e recorrentemente vemos neste tipo de eventos as mesmas pessoas os mesmos discursos, as mesmas preocupações. O figurino é normalmente sempre o mesmo: há uma sessão de abertura com alguma pompa e circunstância onde normalmente estão presentes alguns representantes políticos e de entidades regionais; seguem-se algumas apresentações teóricas sobre o tema; e termina-se com um ou dois casos práticos e sessão de debate. Destas palavras pode até parecer que não concordo com estas iniciativas, mas pelo contrário, considero-as fundamentais e este figurino parece o adequado. Mas não posso deixar de realçar que ano após ano os discursantes e os assistentes são invariavelmente os mesmos - e aqui há que felicitar a disponibilidade destas pessoas. O que me parece negativo é a indisponibilidade de outras pessoas com responsabilidades na área do turismo para assistir estes eventos.

Falo particularmente da grande maioria dos empresários turísticos que ainda não tiveram a capacidade de entender a importância de desenvolver produtos turísticos com qualidade ambiental.

Nestes seminários sinto por vezes que fazemos parte de uma seita de iluminados que se preocupa com o ambiente, com a qualidade do produto turístico e com as ameaças ao futuro do Algarve. Uma seita porque de facto parece que somos sempre os mesmos, os mesmos a discursar, os mesmos a ouvir, os mesmos a partilhar as mesmas preocupações. Era portanto fundamental que houvesse um esforço acrescido por parte das entidades e pessoas com responsabilidades nestas áreas para envolver os outros os que não fazem parte da seita. Porque só assim o trabalho que alguns estão a desenvolver terá a projecção necessária e contribuirá de facto para criar a médio prazo um Algarve com capacidade de responder aos desafios e dificuldades que se nos vão apresentar. Tomo assim a liberdade de fazer uma apelo a todos para acabar com esta seita, um apelo para captar a atenção de todas pessoas com responsabilidades no turismo, um apelo para que tentemos que estas preocupações sejam alargadas a todo o Algarve, de modo a que este se possa destacar no meio internacional como um destino Sustentável e conquistar assim uma importante vantagem competitiva face aos outros destinos concorrentes.

Jorge Moedas
Engenheiro do Ambiente
Jornal "Região-Sul" 04.12.2002

 

Jornal 'Região Sul'

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