O Algarve está perto de mais um reload de turistas, milhares de velhos conhecidos e estreantes visitar-nos-ão inundando os nossos produtos turísticos. Num momento menos bom do país, mais um ciclo de férias se inicia. Mais do que nunca as questões de qualidade e competitividade são prementes.
A minha reflexão desta semana é uma pergunta: O que é que fizemos no último ano no Algarve como destino tu-rístico para garantir a sua sustentabilidade?
Onde é que se inovou? O que é que se alterou? Qual foi a estratégia e quais os seus resultados? Houve alguma estratégia ou simplesmente vogamos ao sabor dos fluxos de turistas e da conjuntura nacional e internacional espe-rando sempre que o ciclo seguinte seja melhor mas nunca fazendo um esforço real e concertado para rodar os fluxos a nosso favor?
Por vezes fico com a sensação (embora possa estar enganado) que pelo menos nalgumas áreas, não há estratégia. Há algumas indicações, há algumas iniciativas dispersas, algumas muito interessantes até mas que não produzem a mais valia que deviam por falta de concertação
Qualidade, competitividade e sustentabilidade são, cada vez mais, conceitos indissociáveis, conceitos que formam uma matrix, razão pela qual me preocupa que não sejam abordados de forma integrada, de forma a se conseguir ter mais controlo no reload anual de turistas.
No fundo a minha pergunta, de uma forma talvez mais provocatória, é: estamos a pensar estas coisas? Está aí alguém a arquitectar esta matrix do Turismo no Algarve ou as coisas vão acontecendo pura e simplesmente porque sim?
Jorge Moedas
Engenheiro do Ambiente
Jornal "Região-Sul" 04.06.2003