Valores
Como não podia deixar de ser, vejo-me obrigado a prestar aqui a minha homenagem a um grande homem que nos deixou: o Papa João Paulo II.
Julgo que estas últimas semanas nos ajudaram a reflectir um pouco sobre religião e não só.
De facto, não é sobre a vertente religiosa que me quero debruçar uma vez que cada um de nós terá a sua opinião sobre igreja, religião e fé.
E apesar de poder existir uma série de divergências no que toca à instituição em si e aos seus actos, o que gostaria de fazer sobressair é a forma como o mundo se reuniu em torno deste acontecimento.
O Papa morreu. Mas não foi um mero Papa. Foi em torno do homem que o mundo se reuniu.
As suas palavras inspiraram muitos, mas foram actos que tornaram este homem uma pessoa especial.
A verdade é que cada um é livre de ter as suas crenças, e o que parece sobressair deste homem é o sentido de paz e de compreensão. O entendimento de que todos somos diferentes de uma ou de outra forma.
Ora... independentemente da religião, há valores que são pedras fundamentais na sociedade e que, de certa forma, estão esquecidos.
O respeito pelos outros é, muitas vezes, esquecido e/ou trocado pelo facilitismo do egocentrismo. A verdade é que muitas vezes é mais fácil olhar para nós próprios e seguir o caminho mais fácil, esquecendo que se todos ganharmos (apesar de menos) será sempre melhor que ganhar só um... por muito que nos custe.
A compreensão é outro dos valores que muitas vezes nos escapa. Quantas vezes esquecemos que não somos os únicos a ter problemas pessoais? A verdade é que, quando temos problemas em casa, chegamos ao trabalho chateados e agradecemos que ninguém nos chateie. E se alguém chateia, ou nos diz algo de que não gostamos, irritamo-nos com facilidade e "disparamos" logo numa reacção muitas vezes descabida. Ora, quando isso acontece, achamos a nossa reacção perfeitamente normal. No entanto, se se passa o mesmo com um colega de trabalho, somos capazes de não compreender e de dizer imediatamente que a pessoa anda sempre mal disposta, ou que acordou com os pés de fora, ou que é uma chata e não consegue aceitar outros pontos de vista ou opiniões.
Muitas vezes nos custa compreender o próximo, e mesmo ouvir as pessoas que nos rodeiam.
A verdade é que, num mundo e numa vida que cada vez mais passa a correr, precisamos de algo que nos inspire e nos sirva de exemplo.
Ora... para muitos o Papa João Paulo II foi um exemplo. Um role model !... sendo ou não chefe da igreja.
Resta-me apelar aos valores que fazem deste mundo um mundo melhor, e à existência de mais Homens como este, que sirvam de exemplo à população em geral.
Marco Rodrigues
Economista
Postal do Algarve 21.04.2005
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