Atitudes em época de Eleições
Aproximam-se eleições!
Portugal entrou em ano de eleições. Este vai ser um ano em que mais se discutirá política.
E todos sabemos o que acontece quando se dá demasiada importância à discussão sobre política (ao contrário da discussão política).
É um "todos contra todos". Um período em que o que mais interessa são as eleições e não o que vai acontecer ao país depois dessas eleições. Um período em que se vai discutir tudo o que não interessa e se vai esquecer tudo o que realmente interessa ao cidadão comum.
Jorge Sampaio, nosso Presidente, dizia há uns meses atrás a propósito do referendo e da Constituição Europeia que os Portugueses não precisavam de ler a Constituição Europeia para a poder votar, tal como acontecia com os programas de governo no que diz respeito à eleição de um governo.
Concordo com esta teoria, no entanto, para o cidadão comum votar em consciência, terá que conhecer minimamente as ideias, valores e conteúdos associados a cada candidatura, e só o conseguirá fazer a partir do momento em que os políticos discutam o que realmente interessa: as medidas a tomar, as acções, os ideais... ao invés de discutirem (como está a acontecer actualmente) o número de debates do candidato A ou o medo do candidato B em ser confrontado pela sua oposição.
Discussões sem interesse (digo eu) inundam o nosso quotidiano e torna-se impossível saber alguma coisa sobre o nosso futuro se os nossos candidatos não falarem sobre ele claramente!
O país está a atravessar um período mau. A atitude dos Portugueses, moralizada por um Europeu fantástico (humana e desportivamente), acabou por se ver fragilizada com o refrear de emoções e uma crise política que acabou por levar o país de volta à sua realidade.
Cada vez mais há menos motivação e, principalmente, confiança no Estado. Infelizmente, Estado e Governo confundem-se entre si e quem acaba por perder com esta confusão são as instituições que, por si só, já não funcionam adequadamente.
As pessoas não acreditam no Governo, logo no Estado e nas Instituições, e isso implica obrigatoriamente a lei do desenrasca e do "fugir aos impostos o mais possível" de forma a tornar mais justa a justiça que o estado não consegue proporcionar.
No fundo, como não achamos justa a forma como o Estado intervém na Economia/Sociedade, acabamos por querer fazer "justiça" pelas nossas próprias mãos fugindo aos impostos.
Claro que isto em nada ajuda o Estado e isso quer dizer que o Estado tem que melhorar a forma como controla a sua "receita".
Muitos defendem que é importante cortar nos custos, mas o facto é que, sem gastar as pessoas sentem-se mal porque as coisas funcionam mal e sem investimento o processo começa a arrastar-se e a tornar-se cada vez mais insustentável.
No fundo, se conseguissem aumentar as receitas (através de um maior controlo e fiscalização das actividades económicas e dos impostos em particular) o país poderia crescer sem que houvesse necessidade de recorrer a medidas como aquela em que se propõe aumentar o tempo de trabalho para efeitos de reforma (que só vem tornar a máquina administrativa mais pesada, cansada e resistente à mudança).
A atitude dos Portugueses têm que mudar, mas o exemplo tem que vir de cima.
Os políticos têm que apoiar as suas campanhas no lema "que ganhe o melhor" e não no lema "que ganhe quem conseguir dizer mais mal do outro".
Tudo isto a bem do Portugal de todos nós!
Marco Rodrigues
Economista
Postal do Algarve 27.01.2005
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