Barulho na 125!
1. Fim-de-semana grande e a população desloca-se à terrinha a visitar a família e aproveitar para ter alguns momentos de descanço.
Umas mini-férias que mais não são que um fim-de-semana com um apêndice.
No entanto, para muita da população portuguesa o feriado de 1 de Novembro, dia de Todos os Santos não significou mais do que uma grande dor de cabeça.
O trânsito em todos os acessos a Lisboa foi caótico numa altura em que todos se preparavam para voltar à rotina diária.
Eu pessoalmente devo dizer que me lancei à estrada na tarde de segunda-feira e entrei na Auto-estrada em Torres Novas (sentido Lisboa) com destino ao Algarve.
Cedo percebi que era impossível continuar na Auto-estrada. O trânsito estava caótico! Filas intermináveis de automóveis parados não deixavam margem de manobra. A única solução era mesmo ficar por ali... pelo menos até à próxima saída: Santarém. Devo dizer que demorei cerca de uma hora a fazer um troço que normalmente demoraria 20 minutos.
Pensando num cenário alternativo passei a delinear o seguinte itenerário: Santarém direito a Almeirim, seguindo para Coruche e apanhando a A2 já longe da confusão de Lisboa.
Devo dizer que, em termos de poupança de tempo (e de algumas horas de dores de cabeça em filas intermináveis), foi uma boa decisão. O meu carro é que não deve ter achado muita piada à decisão porque as estradas em Portugal são mesmo uma miséria.
2. Já esta sexta-feira há barulho na 125.
A confusão vai instalar-se e eu vou, conjuntamentes com uns milhares de Algarvios, passar um bom bocado a caminho do emprego.
O motivo é simples... Portagens na Via do Infante.
Ridículo não é... ou não muitos dirão. O certo é que, de facto, a via do infante é uma alternativa que muitas vezes passa despercebida àqueles que a não usam e que só recorrem à 125 para percorrer pequenas distâncias. O facto é que, quando todos voltarem a usar a 125 para percorrer grandes distâncias porque as portagens tornam incomportável o uso da Via do Infante, a 125 vai tornar-se (novamente) o caos que era no passado, e foco de muitos acidentes e dores de cabeça.
A realidade é que é preciso pagar para ter bons serviços, e sem pagar impostos é complicado para o Estado financiar a mantençãoe construção de novas estradas (entre outros nomeadamente a educação, a saúde, o ambiente...).
No o entanto, assim como está correcto o principio do utilizador pagador, também correcto está o principio da "dupla tributação" num sentido lato, ou seja, no sentido de que, se eu cumpro os meus deveres de contribuinte e pago os meus impostos, devo ter direito a usar as portagens e as estradas que os outros que nada pagam não deveriam utilizar.
É óbvio e lógico que é complicado (para não dizer impossível) fazer estas distinções e há sempre quem se vá sentir injustiçado. Mas, é importante perceber que a solução portagens não é a solução óbvia e que a solução poderia passar mais facilmente (e de forma menos polémica) pela cobrança dos impostos daqueles que fogem e que não cumprem.
Todos temos o direito de ter estradas boas. O algarve tem direito a não se sentir isolado do resto do país e de sí mesmo.
As acessibilidades são extramamente importantes até porque, sendo o Algarve um cartão de visita para os Turistas que visitam Portugal, devemos pensar duas vezes antes de tornarmos a vida mais complicada a todos os que vivem a sul de Portugal.
3. Muito mais haveria a dizer sobre este tema, mas o importante ficou dito. Há que analisar todas as alternativas e ponderar quais as mais eficazes para todos e não só para alguns. Temos que avaliar correctamente todos os prós e contras e partir para a defesa dos nossos interesses.
Vamos sexta-feira defender os nossos interesses... ou não!
Marco Rodrigues
Economista
Postal do Algarve 04.11.2004
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