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A culpa foi do Euro 2004?

O Euro já lá vai. E foi bom sentir toda a festa em redor da selecção e todo o convívio que se proporcionou juntos dos adeptos de outras selecções.

A bem da verdade, o país estava mesmo a precisar de um momento como este em que as pessoas se concentraram num objectivo comum a todos e não apenas a parte.

Foi bom perceber que, de facto, o Povo Português tem uma boa capacidade organizativa. Portugal é de facto um país capaz de organizar grandes eventos e com qualidade assinalável... apesar de toda a crítica que sempre se faz sentir antes dos eventos em causa e de toda a organização em cima do joelho. Afinal, o "desenrascanço" tipico dos Portugueses a que me referia num dos meus últimos artigos foi mesmo mais que suficiente para fazer do Euro um sucesso!

No entanto, na última semana, chegou-me às mãos um conjunto de dados e informações que me deixaram a pensar nas vantagens económicas que o Euro trouxe ao Algarve. Digo Algarve porque me parece justo dizer que o Euro pode de facto ter sido um grande impulsionador do Turismo em locais como Braga, Guimarães e Coimbra (entre outros).

Já no que toca ao Algarve a questão é diferente! O Algarve é o destino turístico Português por excelência. É absolutamente normal no Verão (nomeadamente em Junho, mês do Euro) verificar taxas de ocupação bastante elevadas nas unidades hoteleiras e ver as ruas cheias de turistas às compras ou simplesmente de toalha na mão a caminho da praia.

De facto, se é normal haver tanta gente no Algarve, será que foi de facto uma grande vantagem este Euro'2004 para o turismo Algarvio?

Os dados dizem que as ocupações diminuiram, que o rendimento das unidades hoteleiras diminuiu, que o aeroporto recebeu muito mais gente. Mas se chegou mais gente e dormiu menos gente nos hoteis... o que quer isto dizer?

As análises apontam para dois tópicos distintos mas sobre os quais devemos reflectir bastante e os quais nos levam a um único ponto-chave: a qualidade da oferta turística.

Senão vejamos, os visitantes estrangeiros que entraram no aeroporto de Faro aumentaram. As domidas diminuiram. Logo, podemos concluir (ou não) que o diferencial dormiu ou em Espanha ou no mercado paralelo Português. Isto é, o turista que visitou o Algarve é um turista que não tem muito dinheiro para gastar. É um turista que procurou as soluções mais baratas. É um turista que fica em casa onde cozinha o seu jantar em vez de ir ao restaurante. Ou pior... é um turista que está em Espanha a gastar o seu dinheiro.

Claro que esta análise não é linear. Claro que também houve turistas de qualidade. No entanto, os numeros são claros ao apontar descidas na ocupação e nos rendimentos obtidos. E é um facto que muitas das pessoas que costumam vir ao Algarve fazer as suas férias, acabaram por decidir não vir por causa do Euro, pensando que era uma altura de demasiada confusão.

A indústria hoteleira teve assim uma quota de responsabilidade pela fraca prestação da mesma pois não soube qualificar e proporcionar boas taxas de ocupação através da melhor relação qualidade preço, potenciando assim as suas vendas.

No fundo, a acrescer à crise que se verifica por essa europa fora, às guerras internacionais que levam à instabilidade, ao crescente preço do petróleo e a outros factores juntou-se o Euro'2004 (pelo menos segundo algumas análises que li).

No entanto, perdoem-me a ousadia de deixar esta questão no ar: e se não tivesse havido Euro'2004... será que os resultados turísticos no Algarve eram hoje melhores?

Fica a questão e o desejo de que "outros Euros" se repitam com resultados mais claros e evidentes para o Algarve a bem do turismo na nossa região.

Marco Rodrigues
Economista
Postal do Algarve 22.07.2004

Postal do Algarve

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