O Algarve está a mexer!
Já há muito que estamos habituados a ver isto acontecer!
Invariavelmente, os municípios mexem-se de quatro em quatro anos... sempre que há eleições!
O senso comum diz-nos que é assim por natureza, e analisando bem, faz muito sentido!
De quatro em quatro anos os autarcas precisam de ser eleitos e por isso as políticas tornam-se mais "sociais" e benéficas para os munícipes.
Em anos pós eleições acontece precisamente o contrário. O início do mandato é aproveitado para políticas mais austeras de consolidação, reestruturação ou reforma que possibilitem um final de mandato mais "ligeiro".
Porquê?
Porque o eleitor tem memória curta e as acções da recta final de um mandato são mais "eficientes" em termos eleitorais.
Felizmente, no momento que corre, os municípios estão a mexer! Mas se não estamos no final de mandato... só pode ser o Euro 2004 a fazer das suas.
A verdade é que as infra-estruturas estão a ser melhoradas!
Dou três exemplos muito simples.
Primeiro, Faro está a ficar mais bonito. As ruas a serem alcatroadas com especial destaque para a avenida Caloust Gulbenkian, as rotundas a serem arranjadas com plantação de algumas árvores, o Jardim está de cara lavada com o desaparecimento das "Pirâmides" e a manutenção do Coreto.
Segundo, Albufeira tem um estádio remodelado. Ainda há dias tive a oportunidade de ver na televisão uma reportagem que dava conta desse investimento, fruto de uma aposta na promoção de Albufeira através do convite à Selecção Holandesa para se sediar neste centro turístico do Algarve.
Terceiro, "Portugal está mais perto do Algarve" numa alusão à ligação directa Faro-Braga via comboio. Um passo importante para uma região que se quer cada vez mais perto do País e da Europa.
Claro que muitos já disseram, e continuarão a dizer, que o país vai mal e que esta história do Euro é só gastar dinheiro sem sentido nem retorno. De qualquer forma, se os estádios não nos mostram o que o país está a ganhar com o Euro 2004, pelo menos que se reflicta sobre todo o investimento paralelo aos estádios.
Não posso dizer que este é o melhor e maior investimento que Portugal podia ter feito... a médio prazo se verá. No entanto, agrada-me ver este movimento e esta tão falada produtividade. As coisas estão a acontecer, em cima (ou não) do joelho, mas estão a acontecer. E quem ganha com isso somos nós e o país.
Acho que devíamos ter disto mais vezes para que este espírito produtivo não acontecesse só de quatro em quatro anos.
Vamos esperar que o Algarve se entusiasme com esta movimentação e que não perca o balanço. Precisamos de continuar com este ritmo, a bem de uma região mais desenvolvida num destino turístico de eleição que tem vindo a decrescer com as opções tomadas de preterir a qualidade face à quantidade.
Marco Rodrigues
Economista
Postal do Algarve 10.06.2004
Comente este artigo