Euro planeado ou o Euro desenrascado?
A cena internacional leva-nos à notícia do momento: o Terrorismo. Com a Espanha no principal papel a ceder à pressão, nomeadamente ao atentado de Madrid de 11 de Março, o mundo depara-se continuamente com notícias chocantes vindas de Iraque e arredores.
Por cá, e porque Portugal é tão pequenino, o Euro é a noticia que nos preocupa a todos como Portugueses. O Euro está nas nossas televisões, nas nossas rádios e nas ruas por onde passamos.
Não julgo ser difícil para nós Portugueses a recepção calorosa e hospitaleira de meio-Mundo, ou em maior rigor meia-Europa, no Algarve e em todos os outros pólos urbanísticos onde atenções se vão centrar em Junho próximo. Afinal de contas, o povo Português é mesmo assim, simpático e amistoso, sempre disposto a ajudar e a desenrascar.
A bem da verdade, o conceito desenrascar deve ter sido "inventado" por Portugueses. Talvez ainda no tempo dos Descobrimentos quando alguém diria faltar algo numa das nossas naus e um navegante "tuga" responderia: "não faz mal... logo nos desenrascamos com outra coisa qualquer".
Pois bem... o nosso Euro'2004 prepara-se para ser o Euro do desenrasca. Ou não!
A imprensa bem se esforça por ir mostrando preocupação por parte das forças de segurança no sentido de prever todos os problemas que podem surgir durante esse período, no entanto há imensa informação contrária e o sentimento geral é mesmo de que a informação/formação existente é insuficiente.
Há testes de segurança aos estádios, testes a acidentes rodoviários nas estradas, mas a verdade é que, e quem foi ver o Portugal - Inglaterra ao nosso bonito Estádio do Algarve sabe do que estou a falar, os acessos não são os melhores e as alternativas em termos de transportes públicos não estão suficientemente divulgadas.
E a grande questão que se coloca aqui é, de facto: e fora dos estádios? E fora das horas em que vai haver jogos? O que se vai passar?
Locais aprazíveis para visitar não faltam! A nossa gastronomia pode bem fazer as delícias de muitos que se vão deslocar ao Algarve (e a Portugal em geral) pelo espectáculo futebolístico e surpreender positivamente.
No entanto, e esta é a grande preocupação, só um décimo dos visitantes vai ver os jogos ao estádio. Onde vão ficar os restantes 90%?
E já agora, o que vão ficar a fazer? Onde vão ver os jogos?
Não sei bem... mas como cidadão estou um bocado mal informado em relação a estas questões e isso preocupa-me.
Sim, porque no fundo, e porque o Euro está ai à porta, ninguém sabe bem o que vai acontecer. A informação encontra-se dispersa. Uns sabem dumas coisas, outros sabem doutras, e no fundo voltamos à questão inicial: o desenrasca.
Há tempos li que a maneira do Portugueses trabalharem é mesmo assim. Trabalho sob pressão e em cima dos prazos. Até já há estudos de suporte a teses de doutoramento nas áreas da sociologia/economia das organizações. O que é facto é que o Português consegue ser muito eficaz quando trabalha sob pressão e a sua capacidade de desenrascanço supera a maior parte das vezes a falta de planeamento ou do seu controlo.
Mais não digo que não seja desejar que Portugal seja mesmo um grande anfitrião do Euro'2004 e que saiba aproveitar bem a suas mais-valias não deixando assim fugir uma oportunidade de ouro de se projectar na Europa como um destino turístico com potencial.
Marco Rodrigues
Economista
Postal do Algarve 29.04.2004
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