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A César o que é de César

A gestão da saúde é algo cada vez mais complexo, em virtude das grandes expectativas que os cidadãos colocam nas novas tecnologias que proporcionam um grande aumento da esperança de vida. Se se pensar que em apenas cem anos a esperança de vida duplicou (de cerca de 40 anos em finais do século XIX para quase 80 no final dos anos 90) e que as tecnologias colocadas à disposição de uma sociedade envelhecida são extremamente dispendiosas, não é difícil entender que os gastos em saúde tenham sofrido um aumento exponencial ao longo dos anos.

Difícil é entender que os cidadãos em geral, e os utilizadores do Serviço Nacional de Saúde em particular, não entendam o esforço, muitas vezes sobre-humano, desenvolvido por muita gente de valor para "gerir bem" os recursos escassos.

De facto, ao analisarmos o Orçamento de Estado para 2005 é possível constatar a inclusão de objectivos particularmente ambiciosos em matéria de saúde, que colocam este sector como primordial. Desde a garantia de um médico a todos os cidadãos, à permissão de marcação de 40% das consultas por telefone, passando pela redução de 10% das consultas marcadas e não realizadas; construção de dois novos hospitais; profissionalização das urgências; fixação de um prazo máximo para a realização de cirurgias, com um tempo médio de espera de 6 meses (através do programa SIGIC); diminuição do preço dos medicamentos, permitindo uma maior acessibilidade aos doentes mais desfavorecidos e à população em geral, diminuição dos encargos para o Estado e (in)directamente para os contribuintes, e muitos mais.

Estes são objectivos definidos para 2005, que resultam de um esforço desenvolvido nos últimos anos, consignados em programas de sucesso, como a política de implementação do mercado de genéricos (que poupou cerca de 78 milhões de Euros ao Estado, permitindo a realização de mais 95.000 cirurgias), o programa de redução de listas de espera para cirurgia (PECLEC), que permitiu a resolução dos problemas de saúde de muitos doentes que se encontravam em lista de espera há vários anos, a criação da rede de cuidados de saúde primários, a definição da nova Lei de Gestão Hospitalar, a empresarialização de 31 hospitais ou a definição do Plano Nacional de Saúde para 10 anos. Estas são, de facto, apenas algumas medidas de carácter nacional, que tiveram especial sucesso na região do Algarve, especialmente no que diz respeito à redução das listas de espera. Mas, claro que estas medidas não foram as únicas medidas de sucesso ao nível da saúde, que se podem apontar nesta nossa região. Ao nível das infraestruturas foram concluídas várias extensões de saúde e unidades de internamento e de ambulatório em centros de saúde, foram recuperados os blocos operatório e de partos do Hospital Distrital de Faro (HDF), encontram-se em fase de conclusão o edifício do ambulatório do HDF, a urgência de pediatria do Hospital do Barlavento (HB) e o Centro de Medicina Física e de Reabilitação e encontram-se concursos a decorrer para centros de saúde e extensões de saúde e para o Laboratório Regional de Saúde Publica. Tem sido enorme o esforço despendido com a climatização de vários serviços do HDF. O Hospital Central do Algarve será uma realidade em 2009, e num futuro próximo será construído o novo edifício da unidade de infecciologia do HDF e da sua urgência pediátrica, bem como o da urgência geral do HB e do Centro Regional de Saúde Pública. Ao nível dos equipamentos foi adquirido um novo TAC e equipamento clínico para a cirurgia de ambulatório do HDF e criado o laboratório de hemodinâmica naquele hospital, foi implementada a Via Verde Coronária em alguns centros de saúde, procedeu-se ao alargamento das Unidades Móveis de Saúde em alguns concelhos e foram adquiridos novos equipamentos para as fisioterapias de vários centros de saúde, bem como um retinógrafo, para rastreio da retinopatia diabética.

Ao nível das novas tecnologias foram dotados os centros de saúde e o HDF com telemedicina, foi substituído todo o sistema de redes de informática dos centros de saúde e até ao fim deste mês todos os gabinetes médicos, de enfermagem e administrativos serão equipados com novos computadores, permitindo a prescrição electrónica.

Ao nível da reorganização de serviços, foi implementada a Triagem de Manchester nas urgências do HDF e do HB, por forma a possibilitar o atendimento por ordem de gravidade e não de chegada; foram expurgados os ficheiros médicos dos centros de saúde dos doentes falecidos e duplicados, por forma a permitir uma reafectação de doentes sem médico de família; foram implementadas normas para marcação de consultas nos centros de saúde e elaborados planos de acção visando o aumento da acessibilidade e produtividade.

Ao nível da produção, verificou-se um aumento de consultas nos hospitais e centros de saúde, de internamentos, de sessões de Hospital de Dia, de intervenções cirúrgicas e de domicílios com diminuição das urgências e serviço de atendimento permanente, levando a uma redução de custos por doente tratado.

Ao nível das intervenções em saúde foi feito o rastreio da retinopatia diabética, do cancro do cólon e programado o rastreio do cancro da mama, foram estendidas as consultas de pedopsiquiatria a todo o Algarve (em articulação com o Hospital D. Estefânia), intervencionados quase todos os utentes em lista de espera ao abrigo do programa PECLEC e iniciado o programa SIGIC, sendo o Algarve uma região piloto.

Ao nível das medidas estruturantes para a região Algarve, foi criado o serviço de oncologia no HDF, autorizada a implementação de uma unidade de radioterapia, aumentado o número de viaturas de emergência médica e de ambulâncias do INEM, foram abertos concursos para novas farmácias, foi empresarializado o HB, criado o Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio e elaborado o Plano Director Regional de Saúde, documento fundamental para o planeamento da saúde na região do Algarve nos próximos 10 anos.

E a lista continua... Não é possível enumerar aqui tudo o que foi feito em prol do Algarve e das populações residentes nesta doce região. Durante os últimos anos, muita gente com amor a esta bela região trabalhou arduamente para agora ser possível constatar que a nossa saúde está muito melhor. Não está curada, mas está muito melhor de saúde!

Custa a acreditar que os cidadãos em geral, e (alguns) algarvios em particular não reconheçam todo o trabalho feito, tanto a nível nacional, como regional, com o objectivo de melhorar o acesso aos cuidados de saúde da população.

A César o que é de César...

Lara de Noronha e Ferreira
Mestre em Gestão e Economia da Saúde e Docente Universitária
Jornal do Algarve 22.02.2005

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